Vagas por preencher no concurso para o internato médico evidenciam problema estrutural
A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) alerta para a necessidade urgente de aumentar a atratividade do Serviço Nacional de Saúde (SNS), depois de se verificar que um número significativo de vagas ficou por preencher no concurso para o internato médico deste ano.
Este resultado – o pior dos últimos anos – evidencia que a retenção de futuros médicos é hoje um dos maiores desafios do sistema, com consequências diretas na formação dos estudantes de Medicina e internos e também na sustentabilidade do SNS, a médio e longo prazo.
“A maioria dos estudantes de Medicina gostaria de permanecer no SNS, mas a realidade atual leva muitos a considerar alternativas como a emigração. Esta saída compromete o futuro do sistema, porque sem internos hoje, não teremos especialistas amanhã. Tornar o SNS mais atrativo é, por isso, um desafio estrutural urgente. Investir na retenção e motivação dos médicos não significa apenas garantir profissionais, mas também assegurar a formação de qualidade e a sustentabilidade do SNS para o futuro”, afirma Paulo Simões Peres, Presidente da ANEM.
A ausência de internos, que são os futuros especialistas, compromete ainda a capacidade formativa do SNS, já que os médicos especialistas desempenham um papel central tanto na prestação de cuidados como na orientação de estudantes e internos.
Serviços que, ano após ano, deixam de receber internos, acabam por prejudicar não só a aprendizagem prática dos futuros médicos, mas também a preparação dos especialistas de que o SNS precisa para garantir cuidados de qualidade à população.
Especialidades essenciais para o funcionamento do SNS, como Medicina Geral e Familiar e Medicina Interna, continuam com vagas em aberto, enquanto noutras áreas fundamentais, como Patologia Clínica e Saúde Pública, também se verifica esta realidade. Para além disso, a Região de Lisboa e Vale do Tejo concentra uma parte significativa destas vagas, revelando assimetrias regionais que se refletem no acesso aos cuidados de saúde e na experiência formativa dos internos.
A ANEM sublinha que a crise de atratividade não se limita ao acesso ao internato: se não houver médicos suficientes a permanecer no SNS, o sistema enfrenta dificuldades para manter serviços e formar novos especialistas, comprometendo a capacidade de resposta às necessidades da população nos próximos anos.
Sobre a ANEM
Fundada em 1983, a ANEM é a Federação Portuguesa de Estudantes de Medicina, composta por nove Associações, representando cerca de 12.000 estudantes de nove Escolas Médicas do país.