Setor convencionado de imagiologia assegurou 9,7 milhões de exames em 2024, dos quais 6,7 milhões ao abrigo de convenções do SNS.
Diferenças nos tempos de resposta resultam de regras contratuais, capacidade alocada e limitações estruturais do modelo de convenções.
Desatualização das tabelas de atos convencionados, escassez de recursos humanos e perda de cobertura territorial expõem a rede convencionada a um risco real de colapso.

A ANAUDI — Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem alerta para o risco crescente de rutura no acesso dos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) aos exames de imagiologia (radiologia e medicina nuclear), realizados pela rede convencionada de ambulatório, essencial para o diagnóstico precoce e acompanhamento de doenças graves, incluindo a oncologia.
Na sequência do recente Alerta de Supervisão da Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e das notícias que lhe seguiram, a ANAUDI sublinha que não existe qualquer tolerância para práticas de discriminação, reafirmando que as unidades convencionadas cumprem integralmente os princípios da equidade, universalidade e não discriminação.
Um setor que suporta diariamente o SNS
Os dados de atividade dos Associados da ANAUDI demonstram a dimensão do seu contributo para a saúde dos portugueses. Em 2024, as unidades associadas realizaram 9,7 milhões de exames, dos quais 6,7 milhões (69%) ao abrigo de convenções com o SNS. Dos 6,8 milhões de utentes atendidos, cerca de 5 milhões (70%) são beneficiários do SNS. Estes números confirmam que a rede convencionada é indispensável para o acesso dos cidadãos ao diagnóstico por imagem e que não existem situações de discriminação na sua atividade.
A origem dos problemas de acesso não está na discriminação
As diferenças nos tempos de resposta resultam, na esmagadora maioria dos casos, de limitações estruturais e contratuais impostas pelo próprio Estado: capacidade contratada insuficiente, horários distintos para diferentes financiadores, atos excluídos da tabela e falta de recursos humanos especializados disponíveis para trabalhar no regime convencionado, devido à ausência de condições remuneratórias competitivas.
“Confundir limitações contratuais com discriminação é injusto e desvirtua o problema real: a rede convencionada tem suportado o SNS durante décadas, apesar de trabalhar com tabelas de atos e valores convencionados, definidos unilateralmente pelo Estado, desatualizados há mais de 12 anos, em condições cada vez mais exigentes e com recursos humanos cada vez mais difíceis de reter”, refere Eduardo Moniz, Presidente da ANAUDI.
Rede convencionada em risco real de colapso
A manutenção de tabelas desatualizadas, a pressão crescente sobre os profissionais, a perda de cobertura territorial e a redução progressiva da capacidade instalada colocam o setor convencionado num ponto crítico. Sem intervenção urgente, os utentes do SNS enfrentarão atrasos ainda maiores, afetando o diagnóstico precoce, o seguimento terapêutico e os rastreios oncológicos.
A ANAUDI apela a que o debate público se centre nos fatores estruturais que ameaçam a rede convencionada, cuja sustentabilidade é essencial para garantir diagnósticos em tempo clinicamente aceitável, assegurar rastreios e acompanhamento de patologias graves, evitar desigualdades territoriais e socioeconómicas, proteger a liberdade de escolha dos utentes consagrada na lei e a concorrência entre os prestadores de cuidados de saúde.
A Associação mantém total disponibilidade para colaborar com as autoridades públicas na identificação de soluções imediatas e estruturais que permitam reforçar a capacidade contratada, atualizar as tabelas e proteger o acesso dos utentes do SNS a exames indispensáveis para a sua saúde.
Sobre a Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem (ANAUDI)

A ANAUDI (Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem) foi constituída a 15 de outubro de 1996, tendo como objetivo a representação e defesa dos interesses das unidades de diagnóstico por imagem, designadamente nas áreas da radiologia e da medicina nuclear.

Mais informações em Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem.