A Universidade NOVA de Lisboa volta a afirmar-se no panorama europeu da investigação de excelência ao conquistar duas bolsas Proof of Concept do Conselho Europeu de Investigação (ERC), no valor de 150 mil euros cada, atribuídas a projetos desenvolvidos pela investigadora Cláudia Nunes dos Santos, do NOVA Institute for Medical Systems Biology (NIMSB) e pela investigadora Catarina Homem, da NOVA Medical School (NMS).

O ReMAP-PD é um novo modelo de “cérebro-num-chip” desenvolvido no NIMSB que permite testar tratamentos para a doença de Parkinson utilizando células humanas. Esta tecnologia responde a uma limitação crítica da investigação atual: os modelos animais usados para estudar a doença não conseguem prever de forma fiável como os fármacos vão atuar em humanos. Ao reproduzir em laboratório características essenciais da doença de Parkinson, o ReMAP-PD permite testar fármacos de forma mais próxima das condições biológicas humanas, além de mais rápidas e eticamente sustentáveis.

O MetaBoost, desenvolvido na NMS, permite criar neurónios humanos em laboratório mais semelhantes aos neurónios reais do cérebro. Ao corrigir um problema ignorado até agora, o metabolismo celular durante a maturação neuronal, esta tecnologia melhora a fiabilidade dos testes de fármacos, reduz a necessidade de experimentação animal e aproxima a investigação em neurociência da realidade clínica.

“Estas duas bolsas ERC Proof of Concept demonstram a capacidade da NOVA em transformar investigação fundamental de excelência em soluções inovadoras com elevado potencial de impacto científico, clínico e social. São também um reflexo claro da nossa estratégia institucional de promover modelos de investigação mais preditivos, sustentáveis e eticamente responsáveis, reforçando o posicionamento da NOVA como um ator relevante no espaço europeu de investigação e inovação”, afirma Cecília Roque, Vice-Reitora da Universidade NOVA de Lisboa, para a Investigação e Formação Avançada.

As bolsas Proof of Concept do ERC são atribuídas exclusivamente a Investigadores Principais que já receberam um subsídio ERC anteriormente. O seu principal objetivo é apoiar o potencial de inovação comercial e social da investigação financiada pelo ERC.

ReMAP-PD – NOVA Institute for Medical Systems Biology

No NOVA Institute for Medical Systems Biology, a Investigadora Principal Cláudia Nunes dos Santos lidera o projeto ReMAP-PD, que visa desenvolver uma plataforma microfisiológica de “cérebro-num-chip”, baseada em células humanas, capaz de reproduzir características essenciais da doença de Parkinson. Esta tecnologia permitirá testar fármacos de forma mais biologicamente relevante, económica e eticamente sustentável, ultrapassando limitações conhecidas dos modelos animais atualmente utilizados. Com o aumento global dos casos de Parkinson e a fraca capacidade preditiva dos modelos tradicionais, o ReMAP-PD pretende validar uma solução de última geração que reflete de forma mais fiel a biologia humana da doença. A plataforma será avaliada com compostos farmacológicos bem caracterizados, com o objetivo de demonstrar a sua fiabilidade científica, apoiar a futura aceitação regulamentar na União Europeia e atrair parceiros industriais. Ao acelerar a descoberta de terapias mais seguras e eficazes, o projeto contribui simultaneamente para a inovação biomédica e para a redução da experimentação animal, em linha com os princípios europeus de investigação responsável.

MetaBoost – NOVA Medical School

Na NOVA Medical School, a Investigadora Principal Catarina Homem lidera o projeto MetaBoost, uma plataforma inovadora de reprogramação metabólica concebida para melhorar a diferenciação e maturação de neurónios gerados in vitro. O MetaBoost vem induzir, de forma controlada, a mudança metabólica da glicólise para a fosforilação oxidativa, um passo-chave para o desenvolvimento de neurónios funcionalmente mais maduros. Esta abordagem será traduzida num suplemento de meio de cultura universal, fácil de utilizar e compatível com diferentes sistemas experimentais, desde modelos de Drosophila até neurónios humanos derivados de células estaminais pluripotentes induzidas. Ao permitir a geração de neurónios in vitro mais próximos da realidade fisiológica humana, o MetaBoost tem potencial para melhorar a reprodutibilidade da investigação em neurociência, tornar os modelos celulares mais preditivos para testes farmacológicos e reduzir a dependência de modelos animais, em alinhamento com o princípio dos 3Rs. O projeto representa assim um exemplo claro de como a investigação fundamental pode evoluir para uma solução prática com impacto científico, tecnológico e ético.