Semana de Sensibilização para a Zona I 23 de fevereiro a 1 de março
- Inquérito internacional confirma preocupação com a doença, mas reforça falta de conhecimento: um em cada quatro (25%) inquiridos acredita que a sua doença crónica não afeta o seu sistema imunitário, nem o seu risco de desenvolver Zona
- Um terço (33%) afirma que a dor causada pela Zona os impediu de trabalhar ou de participar em eventos sociais
Quase 8 em cada 10 pessoas (78%) inquiridas num estudo que envolveu cerca de 6.000 adultos de dez países, com mais de 50 anos e com uma doença crónica, temem o impacto da Zona no seu dia a dia, com 72% preocupados com a possibilidade de internamentos hospitalares prolongados. No entanto, mais de metade (54%) diz não ter tido uma conversa informada sobre o tema com o seu profissional de saúde.1
Os dados fazem parte de um inquérito realizado junto de um grupo particularmente vulnerável à doença (causada pela reativação do vírus varicela-zoster) e que apresentam uma maior probabilidade de enfrentar complicações mais graves associadas a este problema2,3.
De acordo com o estudo, 42% dos que já tiveram Zona relatam dor intensa com impacto significativo no seu dia a dia, com um terço (33%) a confirmar que os impediu mesmo de trabalhar ou participar em eventos sociais. Números que confirmam a necessidade de mais educação e literacia sobre o risco e o impacto da Zona em adultos com 50 anos ou mais que vivem com determinadas doenças crónicas.
“Estes dados mostram-nos uma realidade preocupante: as pessoas, os doentes, sentem medo do impacto da Zona, mas continuam sem a informação necessária para agir. É urgente aumentar a literacia sobre a Zona para que possamos abordar a doença na consulta com o médico assistente e assumir decisões mais informadas, como prevenir através da vacinação”, afirma José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação – MOVA.
Globalmente, a Zona pode afetar até um em cada três adultos ao longo da vida2,4,5,6,7 e pode reativar-se de forma grave em adultos que vivem com doenças crónicas2,3, como doenças cardiovasculares, em que o risco é 34% superior, doença renal crónica (+29% de risco), diabetes (+38%) ou DPOC/asma (+41%). 8,9,10,11,12,13
Apesar da preocupação dos inquiridos com as complicações graves associadas à Zona, o conhecimento sobre o tema não é muito: a associação entre uma imunidade reduzida, as doenças crónicas e a reativação do vírus é ainda bastante baixa. De facto, um em cada quatro (25%) acredita que a sua doença crónica não afeta o seu sistema imunitário, nem o risco de Zona, com quase metade (46%) a desconhecer que pode aumentar o risco de Zona grave.1
Uma falta de conhecimento que se estende também a Portugal. Os dados de um inquérito realizado em 2025, que contou com a participação de pessoas com mais de 50 anos, mostrou que 40% não se consideram em risco de desenvolver Zona, com a maioria (63%) a confirmar a falta de conhecimento sobre o tema.14
Isto apesar de, em apenas um ano – entre julho de 2023 e junho de 2024 -, 62.985 adultos portugueses terem sido diagnosticados com Zona, o que obrigou ao recurso aos cuidados de saúde na sequência deste problema, associado a um elevado impacto na qualidade de vida devido à dor intensa que provoca, podendo mesmo levar à perda de visão e a dificuldades motoras.
“A perceção de risco continua a ser muito inferior à realidade, o que ajuda a explicar o facto da Zona ser ainda subvalorizada, mesmo junto dos doentes crónicos. É fundamental investir em informação clara e acessível, especialmente junto destas pessoas mais vulneráveis. É igualmente imperativo que os doentes crónicos se vacinem”, sublinha José Albino.
Além do impacto na saúde, um episódio de Zona acarreta ainda um ónus económico para o Serviço Nacional de Saúde: o custo anual estimado da doença chega aos 10,2 milhões de euros em custos diretos (7,2 milhões) e indiretos, como o absentismo laboral, associado a um impacto superior a 2,4 milhões de euros por ano.
“A Zona não tem apenas impacto na condição geral da saúde do doente crónico, tem também consequências sociais e económicas relevantes. Reforçar a sensibilização e a prevenção é um investimento na saúde das pessoas, dos doentes crónicos e na sustentabilidade do sistema de saúde. Por isso, o MOVA defende a necessidade urgente da comparticipação da vacina para grupos de risco e que se minimize as desigualdades no acesso”, conclui.
Sobre a Zona:
Sensação de formigueiro ou dor numa área da pele, dor de cabeça ou mal-estar geral são alguns dos primeiro sintomas de Zona, aos quais se costuma seguir uma erupção cutânea (vesículas ou bolhas) apenas de um lado do corpo, mais frequentemente no peito, abdómen ou rosto. E se, para alguns, os sintomas melhoram passadas algumas semanas, para outros a dor torna-se crónica, com complicações que podem durar meses ou até anos, sendo a mais comum a nevralgia pós-herpética, uma dor incapacitante. Alterações cutâneas, envolvimento ocular com possíveis complicações e problemas auditivos são outras manifestações importantes a considerar.2,9,15
Referências:
1 Human8 on behalf of GSK. Shingles Action Week 2026 Survey (China, Germany, India, France, Canada, Australia, Poland, Austria, Japan, and UAE). Data on file. 2026.
2 Harpaz, R., et al. Prevention of herpes zoster: recommendations of the Advisory Committee on Immunization Practices (ACIP). MMWR Recomm Rep 2008;57(Rr 5):1-30
3 Mueller NH, et al. Varicella Zoster Virus Infection: Clinical Features, Molecular Pathogenesis of Disease and Latency. Neurologic Clinics. 2008;26;675-697
4 Lee, C., et al. Lifetime risk of herpes zoster in the population of Beijing, China. Public health in practice (Oxford, England). 2023;5:100356.
5 Curran, D., et al. Meta-Regression of Herpes Zoster Incidence Worldwide. Infectious diseases and therapy. 2022;11(1):389-403.
6 Curran, D., et al. Healthy ageing: Herpes zoster infection and the role of zoster vaccination. NPJ Vaccines. 2023;8.
7 Shingles in Australia. Australian Institute of Health and Welfare [Available from: https://www.aihw.gov.au/getmedia/759199ff-f5c8-421d-a572-aaa984a02b49/aihw phe-236_shingles.pdf.aspx Last Accessed: November 2025]
8 Steinmann et al. Risk factors for herpes zoster infections: a systematic review and meta-analysis unveiling common trends and heterogeneity patterns. Infection. 2024;52(3):1009-1026. doi: 10.1007/s15010-023-02156-y.
9 Marra, F., et al. Risk Factors for Herpes Zoster Infection: A Meta-Analysis. Open forum infectious diseases. 2020;7. REF-89331 10 Lin, S.Y., et al. A comparison of Herpes Zoster incidence across the spectrum of chronic kidney disease, dialysis and transplantation. Am J Nephrol (2012) 36 (1): 27–33.
11 Huang, C.T., et al. Association Between Diabetes Mellitus and the Risk of Herpes Zoster: A Systematic Review and Meta-analysis. The Journal of clinical endocrinology and metabolism. 2022;107(2):586-97.
12 Forbes, H.J., et al. Quantification of risk factors for postherpetic neuralgia in herpes zoster patients: A cohort study. Neurology. 2016;87(1):94-102.
13 Mortimer, K.J., et al. Global herpes zoster burden in adults with asthma: a systematic review and meta-analysis. European Respiratory Journal. 2024 64(2): 2400462.
14 IPSOS on behalf of GSK. Shingles Awareness Week 2025 Survey (Brazil, China, Germany, India, Ireland, Italy, Japan, Portugal, and USA). Data on file. 2025.
15 Volpi, A. Severe complications of herpes zoster. Herpes. 2007;14 Suppl 2:35-9.