• Investigação analisou doentes com sintomas persistentes até cinco anos após infeção por SARS-CoV-2 e identificou alterações distintas no funcionamento do sistema imunitário feminino.
  • Resultados ajudam a explicar por que as mulheres apresentam maior carga de sintomas e impacto associado à COVID longa.

As mulheres com covid longa apresentam diferenças no funcionamento do sistema imunitário que ajudam a explicar as razões de sofrerem sintomas mais incapacitantes do que nos homens após a infeção por SARS-CoV-2. A conclusão resulta de um estudo liderado por Helena Soares, professora e investigadora principal da NOVA Medical School. A investigação acompanhou 34 pessoas com COVID longa, com sintomas persistentes entre 9 meses e 5 anos após a infeção, além de outros 26 indivíduos também infetados, mas sem sintomas.

Os resultados mostram que as mulheres apresentam uma carga de sintomas mais elevada do que os homens, sobretudo fadiga persistente, dificuldades de concentração e problemas de memória. Estes sintomas tendem também a agravar-se com a idade e com a duração da doença. As mulheres apresentaram também mais doenças associadas, em particular relacionadas com metabolismo, sistema neurológico e circulação, o que pode contribuir para a persistência dos sintomas. As queixas nos homens são, sobretudo, músculo-esqueléticas e algumas gastrointestinais.

Ao nível do sistema imunitário, as mulheres revelaram alterações em células imunitárias responsáveis pelo combate ao vírus, o que pode explicar a persistência dos sintomas e uma maior vulnerabilidade a problemas neurológicos, enquanto os homens apresentaram níveis mais elevados de inflamação generalizada.

“A COVID longa não afeta homens e mulheres da mesma forma. Identificar estas diferenças é um passo importante para compreender os mecanismos da doença e desenvolver abordagens mais eficazes e adaptadas ao perfil de cada doente”, afirma Helena Soares, líder do grupo de investigação em Imunopatologia Humana da NOVA Medical School.

Mais de metade dos participantes relataram dificuldades nas atividades do dia a dia e no trabalho. Estes resultados mostram que a COVID longa afeta as pessoas de forma diferente consoante o sexo, a duração da doença e o historial de saúde, sublinhando a necessidade de abordagens terapêuticas mais personalizadas, de um melhor conhecimento da doença e de estratégias que apoiem o funcionamento diário e a qualidade de vida das pessoas afetadas.

Estudos anteriores já tinham demonstrado que as mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver COVID longa sem, porém, explicar as diferenças clínicas e imunológicas entre homens e mulheres.

A Organização Mundial da Saúde estima que 65 milhões de pessoas em todo o mundo possam sofrer de covid longa, condição caracterizada pela persistência de sintomas durante pelo menos três meses após a infeção inicial. Entre os sinais mais frequentes encontram-se fadiga extrema, dificuldades de memória e concentração, dores musculares e articulares e alterações neurológicas.

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