Dia Mundial do Sono

No âmbito do Dia Mundial do Sono, sob o tema “Sleep Well, Live Better”, a Dr.ª Olga Magalhães da equipa médica da Clínica Dr.ª Marta Padilha reforça a importância do sono como um dos pilares fundamentais da saúde hormonal, metabólica e emocional da mulher, especialmente durante a transição para a menopausa.

Segundo a Associação Portuguesa do Sono, a maioria dos portugueses dorme abaixo das 7 a 9 horas recomendadas para adultos. Este dado é particularmente relevante quando se sabe que o sono é um regulador central do equilíbrio hormonal.

Durante um sono adequado, em quantidade e qualidade, o organismo produz melatonina, regula o cortisol, a hormona do stress, e contribui para o equilíbrio das hormonas sexuais e metabólicas. Quando o sono é insuficiente ou fragmentado, o cortisol tende a manter-se elevado. Este aumento pode desencadear maior procura por hidratos de carbono e açúcares como forma de compensação energética, favorecendo alterações de peso, maior inflamação e desequilíbrio metabólico.

Além disso, a evidência científica demonstra que distúrbios do sono e sono fragmentado podem contribuir diretamente para o desenvolvimento ou agravamento de várias doenças, incluindo hipertensão arterial, depressão, perturbações de ansiedade, arritmias cardíacas e fibromialgia. Quando o organismo não consegue completar adequadamente os ciclos de sono, os mecanismos de regulação hormonal, cardiovascular e neurológica ficam comprometidos, mantendo o corpo num estado de stress fisiológico prolongado.

Na menopausa, esta relação torna-se ainda mais sensível. A queda de estrogénio favorece ondas de calor, despertares noturnos e sono mais leve. A diminuição da progesterona, que tem um efeito calmante natural, pode facilitar insónia e ansiedade noturna. Cria-se, assim, um ciclo difícil de quebrar, as alterações hormonais prejudicam o sono e dormir mal agrava o desequilíbrio hormonal e emocional.

Os dados científicos mostram que até 80% das mulheres na transição menopáusica experienciam sintomas vasomotores, como ondas de calor, associados a pior qualidade do sono. Estudos indicam ainda que cerca de um quarto das mulheres em pós-menopausa refere dificuldade em manter o sono e quase 30% apresenta queixas de insónia. A evidência demonstra também que pior qualidade de sono está associada a níveis mais elevados de ansiedade e depressão e a uma redução significativa da qualidade de vida física e psicológica.

Para a Dr.ª Olga Magalhães “olhar para a menopausa de forma integrada é essencial. O sono não deve ser encarado como um sintoma isolado, mas como um indicador central do equilíbrio hormonal e do envelhecimento saudável. Identificar precocemente alterações no padrão de sono pode ser determinante para prevenir impacto prolongado na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida.”

Neste Dia Mundial do Sono, a mensagem é clara, dormir bem não é um luxo, é uma necessidade biológica. Cuidar do sono é cuidar das hormonas, do metabolismo e da saúde a longo prazo. Porque viver melhor começa, inevitavelmente, por dormir melhor.