A Ordem dos Médicos manifesta a sua preocupação pela orientação da Direção Executiva do SNS para travar, em 2026, o aumento de consultas e cirurgias nos hospitais e limitar o reforço de recursos humanos e financeiros necessários. Num SNS já sob enorme pressão, esta opção não traduz qualquer ganho de eficiência: trata-se de um travão administrativo com impacto clínico negativo para os doentes.
“Congelar a atividade assistencial num sistema já pressionado não é uma reforma e sem melhoria da eficiência é um erro de gestão com consequências diretas na vida dos doentes”, afirma Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos.
O impacto é previsível: mais listas de espera, mais atrasos no diagnóstico e no tratamento e mais sofrimento para os doentes. Antes de fazer cortes financeiros cegos, é preciso criar condições para uma gestão rigorosa e sustentável. É necessário avaliar e identificar desperdícios que só uma verdadeira governação clínica pode corrigir. É aí que se exige uma reforma séria.
Decidir, sem base racional conhecida, travar a atividade assistencial por via de um estrangulamento financeiro é escolher o caminho mais perigoso e o mais errado. Há espaço e necessidade para fazer melhor, para gerir melhor, não para tratar menos. É fundamental avaliar com rigor as consultas realizadas, os exames solicitados e os tratamentos instituídos, reforçando a qualidade e a fundamentação da decisão clínica.
A Ordem dos Médicos já alertou que menos financiamento disponível, sem uma gestão mais eficiente, significará inevitavelmente menos cuidados, maiores listas de espera, mais consultas e cirurgias adiadas e mais doentes por tratar.
“Reformar o SNS exige organização, governação clínica e investimento inteligente. Não se reforma o sistema tratando mal e menos pessoas”, sublinha o Bastonário.
A saúde não pode ser gerida contra os doentes. A Ordem dos Médicos exige a reversão desta orientação e a adoção de medidas sérias de eficiência assentes em governação clínica, investimento adequado, valorização e captação dos médicos necessários, bem como na defesa do acesso atempado, da qualidade e da segurança dos cuidados. Congelar a resposta assistencial não é reformar o SNS. É falhar aos doentes.