- Mais de metade dos doentes auscultados no TRD Patient Voice recebeu o diagnóstico há mais de 10 anos.
- 36% dos inquiridos admitiu já ter reportado pensamentos de morte ou automutilação nos 14 dias anteriores ao questionário.
Um terço das pessoas que vivem com depressão em Portugal demorou mais de um ano a procurar ajuda profissional desde o início dos sintomas. A conclusão é do TRD Patient Voice, uma iniciativa promovida pela Familiarmente, em parceria com a Johnson & Johnson Innovative Medicine e a MOAI Consulting que procurou compreender, a partir da perspetiva dos próprios doentes, como é vivido o percurso das pessoas que vivem com esta doença e o impacto que esta tem no contexto português.
Os resultados mostram que o caminho até ao diagnóstico é frequentemente lento, pouco linear e marcado por dificuldades de acesso, com impacto significativo na evolução da doença e na qualidade de vida das pessoas afetadas.
De acordo com os dados recolhidos, 36% dos participantes demorou mais de um ano entre o início dos sintomas e a decisão de procurar apoio profissional. Segundo o TRD Patient Voice, este atraso pode estar associado a fatores como barreiras de acesso aos cuidados de saúde, estigma social ou dificuldade no reconhecimento dos sintomas depressivos enquanto problema de saúde, contribuindo para o agravamento do quadro clínico e para uma resposta terapêutica menos eficaz.
Entre os inquiridos, mais de metade (56%) recebeu o diagnóstico de depressão há mais de 10 anos, enquanto 27% o obteve há menos de 5 anos. Além disso, 60% dos participantes indica que já alterou a sua medicação antidepressiva duas ou mais vezes. Estes dados evidenciam o carácter frequentemente prolongado e recorrente da depressão, que em vários doentes assume um curso crónico, com períodos alternados de remissão e recaída.
Os resultados apontam também para níveis reduzidos de literacia em saúde mental. No momento do diagnóstico, 42% dos participantes referiu ter baixo ou muito baixo conhecimento sobre a depressão, enquanto apenas 22% afirmou possuir um nível elevado ou muito elevado de conhecimento sobre a doença. Esta falta de literacia pode contribuir para atrasos na procura de ajuda e para sentimentos de confusão e estigma.
Os profissionais de saúde constituem a principal fonte de informação sobre a depressão para 83% das pessoas inquiridas. Em paralelo, observa-se um aumento do recurso a plataformas digitais com 40% dos participantes a referir utilizar motores de pesquisa e sites de saúde, enquanto 10% e 6% recorrem, respetivamente, a ferramentas de inteligência artificial e às redes sociais para procurar informação.
A grande maioria dos participantes reporta um impacto moderado a elevado da depressão no seu quotidiano. 72% referem que a doença prejudicou a sua vida profissional ou académica e cerca de 60% diz que a doença afeta a sua condição económica.
A dimensão relacional surge também como uma das áreas mais afetadas pela depressão, revelando o duplo peso do isolamento social e do estigma interpessoal.
No meio laboral, 29% dos participantes afirmam ter ocultado o diagnóstico por receio das repercussões e no meio familiar, aproximadamente 40% sente que a sua relação com familiares e amigos é afetada pela doença, ilustrando o peso do estigma e o medo de discriminação.
Os dados relativos à ideação suicida evidenciam a gravidade da depressão nesta população: 36% dos participantes reportou pensamentos de morte ou automutilação nos 14 dias anteriores ao questionário, e 29% referiram já ter tentado magoar-se em algum momento da vida. Estes indicadores apontam para uma população com sofrimento psicológico persistente grave, que de acordo com a literatura potencia em 20 vezes o risco de suicídio e reforçam a importância de acompanhamento clínico continuado, monitorização do risco e implementação de planos de segurança adequados.
O TRD Patient Voice é uma iniciativa promovida pela Familiarmente, em parceria com a Johnson & Johnson Innovative Medicine e a MOAI Consulting que procurou dar voz às pessoas que vivem com depressão em Portugal. Mais do que números ou indicadores clínicos, este projeto procurou compreender a experiência real das pessoas com depressão, tal como é vivida no dia a dia, dando visibilidade ao impacto profundo que a depressão exerce nas esferas pessoal, familiar, profissional e social.
Nesta iniciativa foram ouvidas 298 pessoas com depressão.
TRD (Treatment-Resistant Depression, ou depressão resistente ao tratamento) é um termo usado para descrever casos em que a depressão não responde adequadamente a pelo menos duas abordagens terapêuticas com medicina antidepressiva, complicando o processo terapêutico. Apesar deste estudo não se ter limitado a doentes com TRD, o projeto recebeu este nome por procurar compreender as experiências das pessoas com depressão persistente ou de difícil tratamento.
Sobre a Johnson & Johnson
Na Johnson & Johnson, acreditamos que a saúde é tudo. A nossa força na inovação em saúde capacita-nos a construir um mundo onde doenças complexas são prevenidas, tratadas e curadas, onde os tratamentos são mais inteligentes e menos invasivos, e as soluções são pessoais. Através da nossa expertise em Medicina Inovadora e MedTech, estamos posicionados de forma única para inovar em todo o espectro de soluções de saúde hoje, entregando as descobertas do amanhã e impactando profundamente a saúde da humanidade. Saiba mais em https://www.jnj.com/.” EM- CP-570630
Sobre a Johnson & Johnson Innnovative Medicine
A Janssen é agora Johnson & Johnson Innovative Medicine. Há mais de 60 anos que a Janssen faz parte do grupo Johnson & Johnson e durante mais de seis décadas, várias foram as transformações no sentido de reforçar o nosso compromisso com o doente. A nossa nova marca reflete verdadeiramente o melhor de quem somos e do que fazemos, no sentido de continuarmos a liderar o rumo da medicina. O nosso portfólio diversificado abrange várias áreas terapêuticas – Oncologia, Imunologia, Neurociências, Cardiovascular, Metabolismo e Retina, Doenças Infecciosas e Hipertensão Pulmonar.