• Comissão Europeia selecionou proposta internacional coordenada pela universidade portuguesa para financiamento de 60 mil euros
  • Futuro mestrado internacional vai formar profissionais de saúde capazes de desenvolver, avaliar e implementar sistemas de inteligência artificial em contexto clínico
  • Programa será desenvolvido em colaboração com a Universidade Pompeu Fabra (Espanha) e a Universidade de Maastricht (Países Baixos), além de parceiros clínicos, científicos e empresariais
  • Primeira edição poderá arrancar no ano letivo de 2028/2029

A NOVA Medical School vai coordenar a criação de um mestrado europeu em inteligência artificial aplicada à medicina, com foco no diagnóstico, prognóstico e decisão clínica. A decisão resulta da aprovação de um financiamento da Comissão Europeia para o projeto coordenado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade NOVA de Lisboa, com a colaboração da Universidade Pompeu Fabra (Espanha) e da Universidade de Maastricht (Países Baixos).

O financiamento de 60 mil euros garante à NOVA Medical School um prazo de 15 meses para desenvolver a estrutura académica e organizativa do futuro mestrado internacional, com dois anos de duração e um total de 120 ECTS (Sistema Europeu de Transferência e Acumulação de Créditos).

O projeto AI-MEDPRO – Towards an AI-aided MEdical Diagnosis and PROgnosis Master foi selecionado no âmbito do programa Erasmus Mundus Design Measures da Comissão Europeia, depois de obter uma avaliação de 87 pontos em 100. Tem como objetivo criar um programa de referência para formar profissionais capazes de trabalhar na interseção entre inteligência artificial, medicina e ciência de dados, além de contribuir para a utilização segura e responsável destas tecnologias nos sistemas de saúde.

“A inteligência artificial tem um enorme potencial para melhorar o diagnóstico, antecipar a evolução das doenças e apoiar as decisões dos profissionais de saúde. Mas a capacidade tecnológica não é suficiente. Precisamos de profissionais que compreendam simultaneamente os modelos de inteligência artificial, a realidade clínica, os requisitos regulamentares e as implicações éticas da sua utilização. É precisamente essa lacuna que queremos ajudar a preencher com este mestrado”, afirma Jorge Mendes, professor da NOVA Medical School e coordenador do AI-MEDPRO.

A inteligência artificial está já presente em áreas como o diagnóstico por imagem, a análise de dados clínicos, a previsão da evolução das doenças, a monitorização de doentes e os sistemas de apoio à decisão médica. Contudo, permanece uma distância significativa entre o desenvolvimento de modelos tecnologicamente avançados e a sua integração segura, eficaz e sustentável na prática clínica.

O futuro mestrado pretende preparar profissionais para acompanhar todo este percurso: desde a conceção e desenvolvimento dos sistemas de inteligência artificial até à sua validação, implementação, monitorização e avaliação em contexto clínico real.

A formação deverá combinar conteúdos avançados de inteligência artificial e ciência de dados com fundamentos médicos e clínicos. Incluirá ainda a avaliação de tecnologias de saúde, a implementação em contextos reais, a ética, a regulamentação e a governação.

O programa será desenvolvido em linha com as novas exigências europeias aplicáveis à inteligência artificial e à utilização de dados de saúde, nomeadamente o Regulamento da Inteligência Artificial (AI Act) e o Espaço Europeu de Dados de Saúde.

“Não pretendemos formar apenas especialistas capazes de construir algoritmos. Queremos formar profissionais que saibam avaliar quando uma solução pode ser utilizada, quais são as suas limitações, que riscos comporta e como pode ser integrada nos cuidados de saúde sem comprometer a segurança dos doentes. A inovação só produz verdadeiro valor quando consegue chegar à prática clínica de forma responsável”, acrescenta Jorge Mendes.

Durante os 15 meses de duração do AI-MEDPRO, a NOVA Medical School coordenará o trabalho conjunto de construção do futuro mestrado. A primeira fase incluirá a análise das necessidades dos sistemas de saúde e do mercado de trabalho, a consulta de entidades académicas, clínicas e empresariais e a comparação com programas já existentes a nível europeu e internacional.

Este trabalho permitirá definir o perfil dos futuros estudantes, as competências que deverão adquirir, os resultados de aprendizagem e a estrutura curricular do programa.

Serão também estabelecidos os percursos de mobilidade internacional dos estudantes entre as universidades participantes, os modelos de estágio e de contacto com contextos clínicos reais, os processos conjuntos de candidatura e admissão, os métodos de avaliação, os mecanismos de garantia da qualidade e as condições para o reconhecimento dos graus académicos nos diferentes países.

A fase de desenvolvimento abrangerá ainda a preparação do processo de acreditação, a definição do modelo de governação do consórcio e a celebração de um acordo entre os parceiros responsáveis pelo futuro mestrado. Além do núcleo inicial, o projeto vai ter ainda a participação de parceiros académicos, clínicos, científicos, empresariais e da sociedade civil da Europa, África e América Latina, estando prevista a integração de outras entidades durante a fase de desenvolvimento.

O objetivo é chegar ao final dos 15 meses com o programa académico integralmente estruturado, acreditado e preparado para arrancar, assim como com uma candidatura competitiva à linha Erasmus Mundus Joint Masters.

O acordo de financiamento entre a Universidade NOVA de Lisboa e a Comissão Europeia deverá ser assinado até 31 de outubro de 2026, o que permitirá iniciar o projeto em novembro. Caso este calendário se confirme, os 15 meses de desenvolvimento terminarão em janeiro de 2028.

Concluída esta fase, o consórcio pretende apresentar, previsivelmente em fevereiro de 2028, uma candidatura à linha Erasmus Mundus Joint Masters. Esta segunda candidatura será objeto de uma nova avaliação por parte da Comissão Europeia e poderá permitir o financiamento de bolsas destinadas aos estudantes durante um período de cinco anos. Caso esta candidatura seja aprovada, a primeira edição do mestrado poderá arrancar no ano letivo de 2028/2029.

A aprovação do AI-MEDPRO representa, assim, o primeiro passo para a criação de um programa internacional que pretende responder à crescente necessidade de profissionais com competências simultaneamente tecnológicas, clínicas, éticas e regulamentares.

Para a NOVA Medical School, o projeto reforça a aposta na inteligência artificial e na ciência de dados aplicadas à saúde nas vertentes da educação, investigação e inovação, e posiciona a instituição na construção de novas respostas europeias para a transformação digital dos sistemas de saúde.