Rastreio do cancro colorretal | Posicionamento conjunto
Oncologistas, gastrenterologistas, médicos de família e doentes juntam-se num posicionamento conjunto sobre o rastreio do cancro do intestino.
A Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e a Europacolon Portugal defendem, num posicionamento conjunto, que o rastreio do cancro colorretal deve ser uma prioridade nacional para a próxima década. As quatro entidades sublinham que o verdadeiro motor do rastreio continua a ser constituído pelos profissionais de saúde e apresentam cinco prioridades estratégicas para que nenhuma oportunidade de prevenção se perca.
Em Portugal, o cancro colorretal é o cancro mais frequente e a segunda causa de morte por cancro. Segundo as estimativas GLOBOCAN 2022 (IARC/OMS), foram diagnosticados 10 575 novos casos e registaram-se 4 809 mortes, cerca de 29 diagnósticos e 13 mortes por dia.
Ao contrário de muitas neoplasias, o cancro colorretal pode ser evitado antes de surgir, através da identificação e remoção de lesões pré-malignas. Portugal dispõe de um programa organizado de rastreio no Serviço Nacional de Saúde, alinhado com as recomendações europeias. A questão já não é saber se o rastreio é necessário. O verdadeiro desafio consiste em garantir que o programa chega efetivamente aos cidadãos elegíveis, que estes participam, que os resultados são acompanhados e que nenhuma oportunidade de prevenção se perde ao longo do percurso assistencial.
“O próximo grande salto do rastreio do cancro colorretal não será apenas tecnológico. Será organizacional, clínico e humano. O desafio passa agora por transformar os recursos de que dispomos em resultados efetivos para a população”, afirma o Dr. Nuno Bonito, Presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia.
Os profissionais de saúde são o verdadeiro motor do rastreio
A plataforma RSE SIGA é um instrumento importante para o acompanhamento e monitorização do programa. Mas convém não confundir transformação digital com sucesso clínico. Os sistemas de informação são ferramentas; quem assegura cada etapa do percurso são os profissionais de saúde:
- Médicos de família: principal interlocutor dos cidadãos, promovem a literacia em saúde, esclarecem dúvidas e incentivam a participação.
- Enfermeiros: educação para a saúde, proximidade às comunidades e redução de barreiras à participação.
- Gastrenterologistas: asseguram a colonoscopia, cuja qualidade determina a deteção de lesões precursoras.
- Anatomopatologistas: caracterizam as lesões e orientam a vigilância e o seguimento.
- Cirurgiões colorretais: tratam as lesões mais complexas e os casos diagnosticados em fases precoces.
- Oncologistas: avaliam os resultados globais do programa e identificam tendências epidemiológicas emergentes.
Cinco prioridades estratégicas
- Consolidar uma cobertura efetiva e equitativa da população elegível em todo o território nacional.
- Utilizar plenamente os instrumentos de monitorização para garantir qualidade, transparência e melhoria contínua.
- Promover o envolvimento ativo e corresponsável de todos os profissionais de saúde.
- Reforçar a literacia em saúde e a participação informada dos cidadãos.
- Preparar gradualmente a evolução para modelos de prevenção ajustados ao risco individual.