A gala da 1.ª edição dos Prémios Empatia na Saúde, que decorreu a 17 de outubro, no Porto, distinguiu cinco profissionais e equipas pelo seu contributo para a humanização dos cuidados de saúde. Entre as 149 candidaturas recebidas de todo o país, foram reconhecidos quatro profissionais de saúde e uma equipa.
Segundo Ana Ramos, fundadora dos Prémios Empatia na Saúde, “esta primeira edição dos Prémios Empatia na Saúde mostrou-nos que existem, em diferentes contextos e áreas da saúde, profissionais e equipas que colocam a pessoa verdadeiramente no centro dos cuidados. Estas cinco histórias são exemplos de como a empatia se traduz em gestos e práticas concretas, com impacto na experiência de quem está do outro lado”.
Isabel Semeão, enfermeira da ULS da Região de Leiria, foi distinguida pelo trabalho desenvolvido na área dos cuidados paliativos e pela criação de iniciativas como a “Sala do Abraço” e a exposição “Há Vida em Cuidados Paliativos”. O seu trabalho inclui também a mobilização de pessoas e recursos para concretizar desejos de doentes em cuidados paliativos, proporcionando momentos significativos para estes e para as suas famílias.
Joana Grilo, técnica superior de farmácia hospitalar, recebeu o prémio pelo trabalho desenvolvido através do NAVE – Núcleo de Advocacy e Valorização para Educação em Saúde. Depois de, em 2021, ter sido diagnosticada com cancro da mama, criou este projeto para apoiar outras mulheres com cancro, promovendo a literacia em saúde e ajudando-as a tomar decisões mais informadas ao longo do percurso de doença.
Sofia Magalhães, fisioterapeuta especializada na área da oncologia, foi reconhecida pela forma como alia o acompanhamento físico à atenção às necessidades emocionais das mulheres com cancro. Através da escuta e de uma relação próxima com as doentes, o seu trabalho procura contribuir não só para a recuperação física, mas também para o bem-estar e a confiança durante o processo de tratamento.
Teresa Tavares, médica de cuidados paliativos no Hospital de São João, destacou-se pela relação próxima que estabelece com os doentes e pela atenção às suas necessidades para além da doença. O acompanhamento que presta considera também os projetos, relações, receios e objetivos de cada pessoa, procurando preservar a sua qualidade de vida e autonomia.
A Equipa Intra-Hospitalar de Suporte em Cuidados Paliativos Perinatais da ULS de Coimbra foi distinguida pelo acompanhamento prestado a famílias perante situações delicadas, como o diagnóstico pré-natal de doença limitante da vida, a perda gestacional ou a morte fetal. O trabalho da equipa centra-se na escuta e nas necessidades de cada família, apoiando-a na tomada de decisões e na criação de momentos de despedida e de memórias.
A cerimónia incluiu ainda cinco homenagens póstumas a pessoas que se distinguiram pelo seu contributo para uma saúde mais humana. Sameiro Braga criou o Gabinete de Imagem da Mama Help Porto, apoiando mulheres durante o tratamento oncológico; José Aires Pereira dedicou mais de 50 anos à saúde infantil, enquanto pediatra e neonatologista; Joaquim Ramos, psiquiatra e antigo diretor clínico do Hospital de Magalhães Lemos, criou o serviço de reabilitação psicossocial desta instituição; Filipa Marrana, farmacêutica e doente oncológica, mostrou que é possível falar da doença com verdade e, ao mesmo tempo, com uma extraordinária leveza; e Madame Pereirinha, que partilhou a sua experiência com o cancro através de uma comunicação marcada pelo humor e pela autenticidade.
Integraram o júri António Lacerda Sales, médico e antigo Secretário de Estado Adjunto e da Saúde; Beatriz de Sousa Viegas, fundadora da OncoGlam; Francisca Rêgo, professora auxiliar na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto; Hugo Rodrigues, médico pediatra e fundador do projeto Pediatria para Todos; Nuno Teixeira, músico e membro dos Dealema (FUSE); e Paula Rebelo, jornalista da RTP.