Jornadas Nacionais da APCL 2026

A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) assinala hoje o encerramento da campanha “O sangue que há em mim”, que este ano decorreu sob o mote “Se eu mandasse”, e anuncia a realização das suas 7.as Jornadas Nacionais, no dia 24 de outubro, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, com transmissão em direto para quem não puder participar presencialmente.

Ao longo do Mês da Sensibilização para os Cancros do Sangue, a campanha deu voz a 9 profissionais de saúde e 11 pessoas com doenças hemato-oncológicas, desafiando-os a responder a 18 perguntas sobre diagnóstico e acesso aos cuidados, humanização, organização do Serviço Nacional de Saúde e apoio durante e após os tratamentos. As respostas revelaram uma forte convergência entre quem vive a doença e quem acompanha os doentes, apontando caminhos concretos para cuidados mais humanos, próximos e equitativos.

“Esta campanha permitiu ouvir, lado a lado, quem vive com um cancro do sangue e quem acompanha estas pessoas ao longo do diagnóstico, dos tratamentos e da recuperação. Encerramos hoje este mês de sensibilização com contributos claros sobre o que ainda é necessário melhorar e levamos essa reflexão para as nossas 7.as Jornadas Nacionais, onde queremos transformar a escuta em diálogo e o diálogo em propostas concretas para um percurso mais humano, informado e equitativo”, afirma Manuel Abecasis, Presidente da APCL.

Na véspera do encerramento oficial, a APCL promoveu, no dia 29 de setembro, entre as 12h00 e as 15h00, uma ação de sensibilização no Atrium Saldanha, em Lisboa. A iniciativa aproximou a campanha da comunidade e reforçou o convite à reflexão e à participação informada na melhoria da experiência das pessoas com cancro do sangue.

Da sensibilização à ação: 7.as Jornadas Nacionais da APCL

Sob o tema “Uma jornada para a pessoa com cancro do sangue”, as 7.as Jornadas Nacionais da APCL realizam-se no dia 24 de outubro e foram pensadas a partir das várias etapas do percurso de quem recebe um diagnóstico de leucemia, linfoma, mieloma ou outra doença hemato-oncológica. Entre as 08h30 e as 18h00, o encontro reunirá hematologistas, enfermeiros, investigadores, decisores da saúde, doentes, sobreviventes e cuidadores, num formato de linguagem acessível e com espaço para perguntas.

A sessão de abertura contará com Leonor Beleza, Presidente da Fundação Champalimaud, e Manuel Abecasis, Presidente da APCL. Durante a manhã, o programa inclui um retrato da hemato-oncologia em Portugal, uma entrevista sobre o estado da saúde no país e painéis dedicados ao Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, à digitalização, ao acesso à inovação, à investigação clínica e ao financiamento das terapias CAR-T no SNS.

À tarde, estarão em foco a cronicidade e os efeitos secundários tardios, os testemunhos na primeira pessoa, a comunicação e a literacia em saúde, a tomada de decisão partilhada e a navegação no sistema, incluindo direitos e apoios. O dia terminará com um convidado surpresa e as palavras de encerramento de Carlos Horta e Costa, Vice-Presidente da APCL.

Informações práticas: as 7.as Jornadas Nacionais da APCL realizam-se no sábado, 24 de outubro de 2026, das 08h30 às 18h00, na Fundação Champalimaud, em Lisboa, com transmissão em direto. A participação está sujeita a inscrição obrigatória e a um donativo de 10 euros. Para mais informações ou apoio à inscrição, contacte o número 213 422 204.

As Jornadas contam com o apoio da Fundação Champalimaud; com a parceria científica da Sociedade Portuguesa de Hematologia, da Associação de Enfermagem Oncológica Portuguesa, do Grupo de Estudos de Hematologia da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e da Myeloma Patients Europe (MPE); e ainda com o apoio da Gilead | Kite, Amgen, Daiichi Sankyo, Lilly, Pfizer, Sanofi, AbbVie, AOP Health, AstraZeneca, BeOne, J&J Innovative Medicine, Roche, Takeda, Servier, GSK, Kyowa Kirin, Ideogen, Medac e Sebia.

Sobre os cancros do sangue:

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no seu sistema de classificação de tumores hematopoiéticos1 e linfoides2, agrupa estas doenças como “neoplasias3 hematológicas” ou “neoplasias dos tecidos hematopoiéticos e linfoides”.

1) referente à produção e desenvolvimento de células sanguíneas.

2) células, tecidos e órgãos do sistema imunitário que contêm predominantemente linfócitos, responsáveis pela defesa do organismo.

3) massa de tecido que resulta do crescimento e divisão celular descontrolados e anormais.

A expressão “cancro do sangue” é usada genericamente para indicar que estas doenças:

· São malignas

· Afetam o sistema sanguíneo ou imunitário

· Não formam, em geral, tumores sólidos visíveis

Os cancros do sangue são doenças mais raras e incluem: leucemias (agudas e crónicas); síndromes mielodisplásicas (SMD); neoplasias mieloproliferativas (NMP), como a mielofibrose, a policitemia vera e a trombocitemia essencial; linfoma de Hodgkin (LH); linfoma não Hodgkin (LNH), que inclui o linfoma cutâneo; e mieloma múltiplo (MM). Em Portugal, de acordo com o Registo Oncológico Nacional de 2022, publicado em dezembro de 2025, registaram-se 4.767 novos casos de cancros do sangue em 2022, num total de 60.954 novos casos de cancro, o que representa cerca de 7,8% de todos os tumores. Os linfomas não Hodgkin foram o sétimo tipo de cancro mais incidente em Portugal, com 2.084 novos casos em 2022.

Sobre a APCL:

A Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) foi fundada em janeiro de 2002 por iniciativa de um conjunto de doentes que sobreviveram a patologias do foro hemato-oncológico (leucemias e linfomas) e de um grupo de médicos do Instituto Português de Oncologia Francisco Gentil (IPOFG) de Lisboa que os trataram. A principal motivação dos fundadores da APCL radicou na compreensão da importância de consciencializar e mobilizar a sociedade civil para o apoio a todos os que diariamente lutam contra a leucemia.

A APCL tem como missão contribuir, a nível nacional, para aumentar a eficácia do tratamento das leucemias e de outras neoplasias hematológicas afins, investindo, para isso, em investigação científica, através de um programa de atribuição de bolsas, e na formação de profissionais de saúde.

A APCL assume ainda como sua missão o aumento da literacia do doente, promovendo e organizando workshops sobre patologias do sangue e temas relacionados, com o envolvimento de profissionais de saúde.

A promoção de encontros entre pares para partilha de experiências e informações, bem como o apoio financeiro a doentes com leucemia e às suas famílias, são outras valências que doentes e cuidadores encontram na APCL.

Em maio de 2023, a APCL inaugurou a Casa Porto Seguro, a primeira casa de acolhimento para doentes hemato-oncológicos e seus familiares em Lisboa. Este projeto pretende permitir que famílias com carências financeiras e deslocadas da sua área de residência acompanhem o doente durante o período de tratamento e o isolamento necessário à recuperação.