Quanto tempo de ecrã é demasiado para uma criança? É adequado recorrer à Inteligência Artificial quando precisamos de apoio emocional? As escolas conseguem responder aos problemas de saúde mental dos alunos? E estamos preparados para viver mais anos – e melhor? Estas são algumas das questões que estarão em debate no 7.º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses, que decorre de 7 a 9 de outubro, no Convento de São Francisco, em Coimbra.

Um evento que conta com cerca de 2 mil participantes e reúne especialistas nacionais e internacionais para discutir problemas que já fazem parte do quotidiano das famílias, das escolas, dos locais de trabalho e da sociedade. Entre eles Pim Cuijper, uma das principais referências internacionais no estudo da psicoterapia e da depressão e Jorge Moreira da Silva, subsecretário-geral da Organização das Nações Unidas.

Durante três dias, o Congresso olha para algumas das grandes transformações do presente – da revolução digital ao envelhecimento da população, passando pela saúde mental, pelas dependências, pela guerra e pela crise climática – e procura perceber como estão a afetar as pessoas e que respostas são necessárias.

Estamos a aprender a ser pais num mundo para o qual não fomos educados?

Telemóveis à mesa, redes sociais, videojogos, conteúdos online e crianças cada vez mais cedo expostas a ambientes digitais. Onde termina a oportunidade e começa o risco? Proibir funciona? Que regras fazem sentido? E as escolas fizerem bem em adotar as recentes medidas? E como podem os pais mediar uma realidade digital que também eles estão ainda a aprender a gerir?

Mais do que discutir apenas “tempo de ecrã”, o debate passa por compreender como a tecnologia está a alterar relações, aprendizagens, comportamentos e formas de socialização – e qual deve ser o papel dos adultos nesse processo.

A Inteligência Artificial deve ser usada para promover a saúde mental?

Cada vez mais pessoas conversam com sistemas de Inteligência Artificial sobre problemas pessoais, relações, ansiedade ou decisões difíceis. O que acontece quando

uma ferramenta tecnológica começa a ocupar um espaço que antes pertencia sobretudo a amigos, familiares ou profissionais?

O Congresso coloca em debate a relação entre Inteligência Artificial e saúde mental, incluindo as oportunidades que estas ferramentas podem criar, mas também os seus limites e riscos.

A saúde mental também se ensina na escola?

Ansiedade, pressão académica, relações sociais, bullying, expectativas familiares e exposição permanente ao mundo digital fazem parte da realidade de muitas crianças e adolescentes.

Deve a escola limitar-se a reagir quando surge um problema ou pode ajudar a preveni-lo? Como se promove bem-estar mental dentro da escola? E quem deve assumir essa responsabilidade?

Os novos desafios nas áreas das adições

As adições estão também a mudar. Às dependências de substâncias juntam-se comportamentos e contextos que obrigam a repensar prevenção e intervenção.

O que sabemos hoje sobre os mecanismos que levam uma pessoa à dependência? Como mudaram os padrões de consumo e os comportamentos aditivos? E estão as respostas existentes preparadas para acompanhar essas mudanças?

Como se protege a saúde mental de uma população em guerra?

Num contexto internacional marcado por conflitos armados e pelo regresso da guerra ao centro das preocupações europeias, o Congresso coloca em discussão as consequências que vão muito além do campo de batalha.

Uma mesa-redonda dedicada a contextos de guerra e à prevenção da paz cruza estratégia de defesa com intervenção junto das populações, trazendo para o debate as consequências humanas dos conflitos e a preparação das sociedades para situações de crise.

Quanto custa não cuidar da saúde mental no trabalho?

O Congresso inclui ainda a apresentação do Relatório sobre o custo do stress e dos problemas de saúde psicológica no trabalho, trazendo uma dimensão económica a uma questão habitualmente discutida apenas do ponto de vista da saúde. Vai ser apresentado no dia 8 às 11h, na Sala Inês de Castro.

Quanto custam às empresas e ao país o stress, o absentismo e a perda de produtividade associados a problemas de saúde psicológica? E quanto poderia ser evitado?

“Trabalho e Profissionais no Setor da Saúde – Governação, Bem-Estar e Sustentabilidade”

Em paralelo com o Congresso Nacional da OPP, o Convento de S. Francisco acolhe, no dia 9 de outubro, o Fórum Estratégico “Trabalho e Profissionais no Setor da Saúde – Governação, Bem-Estar e Sustentabilidade”, dedicado a colocar a saúde e o bem-estar dos profissionais no centro da governação e da sustentabilidade dos sistemas de saúde. Ao longo do dia, o Fórum promoverá o debate sobre desafios como os riscos psicossociais, a atração e vinculação de profissionais, a organização do trabalho, a liderança, a segurança psicológica e a responsabilização das organizações, procurando transformar evidência e debate em prioridades concretas para a ação. Um dos momentos centrais será a apresentação pública da Declaração de Coimbra 2026, que pretende estabelecer cinco compromissos estratégicos e recomendações para integrar a saúde e o bem-estar dos profissionais na governação das organizações e dos sistemas de saúde, promovendo uma agenda comum para a saúde e sustentabilidade da força de trabalho em saúde.

7.º Congresso da Ordem dos Psicólogos Portugueses 7 a 9 de outubro de 2026 | Convento de São Francisco, Coimbra Programa completo aqui.