O Núcleo de Estudos de Geriatria (NEGERMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI), com o apoio da Fresenius Kabi, lançou a 5.ª edição das Bolsas NEGERMI – Estágios Clínicos de Geriatria, uma iniciativa destinada a apoiar a formação prática de médicos internistas, internos e especialistas nesta área. Com um financiamento global de 3 mil euros, as bolsas pretendem facilitar a realização de estágios clínicos em serviços ou unidades nacionais ou internacionais de referência, contribuindo para o desenvolvimento de competências na abordagem clínica a adultos mais velhos.

Lia Marques, responsável pelas bolsas, sublinha que o objetivo passa por promover uma maior diferenciação clínica dos médicos internistas em Medicina Geriátrica, numa área em que as oportunidades de formação prática continuam a ser limitadas em Portugal. “Continuam a ser limitados os serviços constituídos em que seja possível fazer formação prática em Geriatria, pelo que muitas vezes os estágios clínicos se tornam exigentes do ponto de vista financeiro”, explica.

Segundo a médica, o NEGERMI tem assumido como missão a promoção da formação em Geriatria, sendo esta iniciativa uma forma de apoiar os profissionais na aquisição de competências clínicas específicas para responder às necessidades das pessoas mais velhas.

Nas quatro edições anteriores, foram apoiados sete estágios clínicos de Geriatria, que permitiram aos médicos contemplados aprofundar conhecimentos e desenvolver atividade assistencial nesta área. Entre os beneficiários encontram-se Marília Fernandes, na primeira edição; Beatriz Ribeiro de Sousa e Ana Rita Ramalho, na segunda; Helena Hipólito Reis e Mário Guilherme Jesus, na terceira; e Ana Flávia Costa e Sara Dias, na quarta edição. Os estágios decorreram em instituições de referência, incluindo o Serviço de Geriatria da Azienda Ospedaliero Universitaria Careggi, em Florença, Itália, e o Christie NHS Foundation Trust, em Manchester, no Reino Unido.

O impacto da formação ultrapassa a experiência adquirida durante o estágio, refletindo-se na prática clínica dos profissionais e na organização dos cuidados prestados às pessoas mais velhas. O contacto com modelos assistenciais consolidados, como unidades de Ortogeriatria, serviços de internamento de doentes agudos e consultas especializadas de fragilidade e quedas, tem permitido aos médicos aplicar novas abordagens nos hospitais portugueses. A integração temporária em equipas internacionais tem também favorecido a participação em redes europeias de investigação sobre o envelhecimento e dinamizado a produção científica nacional.

Lia Marques destaca, em particular, o percurso de Helena Hipólito Reis, cujo estágio em Oncogeriatria no Christie NHS Foundation Trust impulsionou o desenvolvimento profissional nesta área na Unidade Local de Saúde de São João. Já Mário Guilherme Jesus tem desenvolvido atividade na Unidade de Ortogeriatria da Unidade Local de Saúde de Gaia e Espinho. Para a responsável, estes exemplos ilustram a forma como a formação especializada pode ter repercussões concretas na assistência hospitalar. “Todos os médicos que adquirem experiência clínica em Medicina Geriátrica mudam a sua prática clínica diária, melhorando a assistência às pessoas mais velhas”, salienta.

A necessidade de reforçar esta formação está relacionada com os desafios da prestação de cuidados de saúde a uma população em envelhecimento. A Geriatria ainda não existe como especialidade médica autónoma em Portugal, cabendo aos médicos internistas uma parte significativa da assistência às pessoas com necessidades geriátricas internadas. No entanto, os serviços hospitalares estruturados e adaptados às necessidades específicas desta população continuam a ser escassos.

Apesar destas limitações, o interesse pela área tem aumentado, com um número crescente de internistas a procurar formação em Geriatria. Para Lia Marques, a componente teórica, por si só, não é suficiente para responder às exigências da prática clínica. “A teoria da Geriatria, sem experiência clínica prática, fica aquém do necessário no dia a dia hospitalar”, considera.

É neste contexto que as Bolsas NEGERMI procuram contribuir para colmatar lacunas na formação e promover a disseminação de boas práticas. De acordo com a responsável, os médicos que regressam aos seus hospitais e unidades de saúde de origem após os estágios ficam mais preparados para implementar protocolos clínicos dirigidos a pessoas mais velhas em situação de fragilidade. A formação tem favorecido o desenvolvimento de consultas específicas de Geriatria, equipas multidisciplinares de avaliação geriátrica global e projetos de articulação nas áreas da Oncogeriatria e da Ortogeriatria.

Os profissionais beneficiários assumem igualmente um papel de transmissão de conhecimentos junto das equipas com quem trabalham, contribuindo para reforçar a literacia geriátrica de médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde. O objetivo é promover uma abordagem mais abrangente e interdisciplinar, centrada não apenas na doença aguda, mas também na funcionalidade, na fragilidade, na autonomia e nas necessidades globais de cada pessoa.

Através desta quinta edição, o NEGERMI pretende dar continuidade ao investimento na formação diferenciada dos internistas portugueses, promovendo a aquisição de competências com impacto direto na qualidade dos cuidados prestados a adultos mais velhos.

Inscrições até dia 20 de outubro – https://www.spmi.pt/5a-bolsa-negermi-para-estagios-clinicos-de-geriatria/