Autoras do livro “Receitas para Famílias Felizes” deixam sugestões simples que podem transformar momentos cada vez mais apressados em diversão e promoção de vínculos e memórias
| As refeições rápidas, muitas vezes em pé, e sem grande tempo de preparo assumem-se como um “novo normal”, num quotidiano que é, cada vez mais, marcado por ritmos acelerados e tarefas exigentes. No âmbito do Dia Mundial da Alimentação, que se assinala esta sexta-feira (16 de outubro), as autoras do livro “Receitas para Famílias Felizes” – a psicóloga Helena Paixão e a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida- reforçam o vínculo existente entre o momento da refeição e a construção afetiva em contexto familiar. Para celebrar a efeméride, as especialistas deixam cinco dicas práticas para transformar as refeições em casa. “Mais do que nunca, é importante recordar que precisamos de voltar a parar e de valorizar o tempo em família”, avança Helena Paixão, sublinhando que “são os momentos mais simples, vividos com presença e atenção, que ajudam a fortalecer os laços emocionais e a construir memórias em conjunto”. A visão é complementada pela nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, que alerta para a importância de “aproximar a prática de uma alimentação saudável ao quotidiano desafiante das famílias portuguesas, tornando possível que as refeições sejam encaradas como uma oportunidade para se estar junto, sem ser necessário criar uma rotina ou dinâmica nova”. Desligar ecrãs, envolver crianças na preparação dos alimentos e criar rotinas A importância da mudança de hábitos está, por exemplo, espelhada nos resultados do estudo “Convivialidade à Mesa”, que revelaram que 64% dos portugueses gostaria de fazer mais refeições em família, embora mais de metade dos portugueses admita almoçar em menos de 30 minutos. O estudo revelou ainda que cerca de 44% dos inquiridos admite utilizar ecrãs, como telemóveis ou tablets, com muita frequência durante as refeições, número que dispara para os 70% entre os jovens dos 18 aos 34 anos, expondo uma menor disponibilidade para a promoção do diálogo e da escuta. Para contrariar esta aceleração e resgatar a qualidade do tempo em família, as especialistas apontam cinco recomendações fundamentais. A primeira passa por envolver ativamente as crianças na preparação das refeições. Conforme explica a nutricionista Mafalda Rodrigues de Almeida, “preparar uma receita em conjunto, lavar os legumes, escolher os ingredientes ou pôr a mesa são pequenos gestos que permitem transformar uma necessidade diária num momento de partilha”, ajudando os mais novos a conhecer os alimentos “através da experiência: tocando, cheirando, observando, misturando e provando ao seu próprio ritmo”. Em segundo lugar, impõe-se a criação de um ambiente livre de distrações digitais, desligando os dispositivos eletrónicos para restaurar a escuta genuína e o diálogo à mesa. A terceira estratégia consiste em aproveitar a cozinha como uma verdadeira escola de competências emocionais e relacionais. A psicóloga Helena Paixão salienta que cozinhar em conjunto “permite trabalhar autonomia, cooperação, confiança e tolerância à frustração”, ensinando a criança “a esperar pela sua vez, a seguir uma sequência, a pedir ajuda, a assumir pequenas responsabilidades e a perceber que o resultado depende do contributo de todos”. Em quarto lugar, é fundamental desdramatizar o ato de comer, evitando tensões ou pressões excessivas. Como sublinha Mafalda Rodrigues de Almeida, “uma alimentação saudável constrói-se ao longo do tempo e através do conjunto dos hábitos familiares, não de uma refeição isolada”, cabendo aos adultos dar o exemplo e disponibilizar variedade “sem fazer de cada refeição uma prova ou uma negociação”. Por último, as autoras sugerem a instituição de pequenos rituais quotidianos para reforçar a segurança e o afeto. Helena Paixão recorda que estes momentos “criam segurança e previsibilidade”, sublinhando ainda que “uma pausa consciente ou uma refeição sem pressa não têm de ser momentos complexos ou extraordinários” e que o “seu valor está na intenção e na repetição”. A reflexão sobre a importância destes gestos encontra eco editorial no livro “Receitas para Famílias Felizes”, da autoria das duas especialistas, com ilustrações de Cláudia Pena. Editada pela Nuvem de Ideias com o apoio da Vitacress, a obra cruza a nutrição com a psicologia para inspirar adultos e crianças a redescobrirem a mesa como um espaço de presença, afeto e memórias felizes. Sobre o livro “Receitas para Famílias Felizes” é um livro para cozinhar, cuidar e estar juntos. Entre receitas simples, saudáveis e cheias de sabor, e pequenas receitas para cuidar, crianças e adultos descobrem que o tempo em família também se prepara: com mãos na massa, ingredientes frescos, conversas à mesa e gestos que ajudam a construir memórias felizes. Sobre as autoras Helena Paixão é psicóloga e coautora de “Receitas para Famílias Felizes”. Conta com uma comunidade de 23 mil seguidores. No livro, traz a dimensão emocional, relacional e afetiva das dinâmicas familiares, propondo pequenas receitas para cuidar e fortalecer os laços entre crianças e adultos. IG: @helenapaixao.psicologa Mafalda Rodrigues de Almeida é nutricionista e coautora de “Receitas para Famílias Felizes”. Conta com uma comunidade de 104 mil seguidores. Através das receitas do livro, contribui com uma abordagem simples, equilibrada e adaptada à vida real das famílias, promovendo uma relação mais positiva com a alimentação. IG: @mafaldaralmeida Sobre a ilustradora Cláudia Pena assina as ilustrações de “Receitas para Famílias Felizes”, criando um universo visual ternurento, colorido e próximo das crianças, que acompanha o espírito afetivo e familiar do livro. IG: @claudia_apenas |
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