· O projeto internacional GlyCaBiota, liderado pelas investigadoras Filipa Marcelo e Angelina Palma, vai investigar o papel da microbiota intestinal e dos glicanos na progressão do cancro colorretal;
· Consórcio europeu vai formar 15 novos investigadores doutorandos, quatro dos quais virão para Portugal;
· É a primeira rede europeia “Marie Skłodowska-Curie Actions Doctoral Network”, coordenada pela Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas | UCIBIO da NOVA FCT.
Almada, 15 de outubro de 2026 – A unidade de investigação UCIBIO da NOVA FCT, assegura a sua primeira coordenação da rede europeia Marie Skłodowska-Curie Actions Doctoral Network (MSCA DN) intitulada GlyCaBiota – Doctoral Training Network on Glycan-Cancer-Microbiota Interactions for Therapeutic and Diagnostic Innovation in Colorectal Cancer. O projeto tem a coordenação de Filipa Marcelo e Angelina Palma, ambas investigadoras da UCIBIO-NOVA FCT.
O cancro colorretal continua a representar um dos maiores desafios de saúde à escala global. Evidências científicas crescentes indicam que a microbiota intestinal desempenha um papel relevante na progressão tumoral e na evasão do sistema imunitário. No entanto, os mecanismos moleculares que regem a comunicação entre as células tumorais, os microrganismos e o sistema imunitário permanecem ainda pouco compreendidos.
O projeto GlyCaBiota pretende dar resposta a este desafio, investigando de que forma os glicanos, moléculas de açúcar derivadas do tumor e da microbiota, e as proteínas que os reconhecem, moldam a biologia do cancro colorretal. Aliando áreas de investigação como a glicobiologia estrutural e molecular, microbiologia, glico-oncologia, imunologia, bioinformática, e inteligência artificial, a rede tem como objetivo descodificar os mecanismos subjacentes à colonização microbiana, à modulação imunitária e à progressão do tumor. Este conhecimento será a base científica necessária para o futuro desenvolvimento de ferramentas de diagnóstico de precisão e de estratégias terapêuticas inovadoras para esta doença.
“Compreender os mecanismos que regulam a comunicação entre o tumor, a microbiota intestinal e o sistema imunitário, constitui um dos grandes desafios da investigação do cancro colorretal. Com o projeto GlyCaBiota, vamos formar uma nova geração de investigadores capazes de integrar conhecimentos e tecnologias de diferentes áreas, para desvendar estes mecanismos, e contribuir para o desenvolvimento futuro de estratégias de diagnóstico e de terapias mais precisas e direcionadas”, destaca Filipa Marcelo, investigadora principal da UCIBIO-NOVA FCT e co-coordenadora do projeto.
Este consórcio de excelência, que irá atrair talento para Portugal, reúne nove instituições académicas (UCIBIO-NOVA-FCT, LUMC, CIC bioGUNE, ICL, QIB, UCPH, CNRS, UNINA, SIB), cinco parceiros industriais (Ludger, GlycoTherapeutics, NZYtech, GlycoDisplay, ADAPTAM Therapeutics), um centro de oncologia (IPO-Porto) e uma rede internacional de investigação em Glicociência (GlycoNET). Esta estrutura garante a cobertura de toda a cadeia de inovação, desde as descobertas moleculares fundamentais até à sua aplicação com relevância clínica.
O programa vai financiar a formação de 15 investigadores doutorandos num ambiente altamente interdisciplinar e intersetorial, dotando-os de competências científicas e transversais avançadas para carreiras na academia, na indústria e no setor da saúde. A aprovação desta rede vai permitir trazer quatro destes investigadores doutorandos para Portugal, fortalecendo a investigação e a formação avançada na UCIBIO-NOVA FCT e estreitando a colaboração com a empresa de biotecnologia portuguesa NZYtech.
“Liderar um consórcio desta dimensão permite-nos não só estar na linha da frente da investigação fundamental e translacional em oncologia, mas também posicionar Portugal como um polo de atração para os jovens talentos europeus. Estes investigadores vão trabalhar num ambiente verdadeiramente interdisciplinar, criando sinergias vitais entre a academia e a indústria”, acrescenta Angelina Palma, professora Auxiliar na UCIBIO-NOVA FCT e co-coordenadora do projeto GlyCaBiota.
O projeto GlyCaBiota consolida e capitaliza a experiência e as parcerias de sucesso estabelecidas através do projeto GLYCOTwinning (Horizonte Europa), também coordenado pela UCIBIO-NOVA FCT, pelas investigadoras Paula Videira, Angelina Palma e Filipa Marcelo. A nova rede expande essa base colaborativa ao integrar a melhor experiência europeia em áreas como a glicómica, microarrays de glicanos, glicobiologia estrutural, imunologia tumoral, microbiologia intestinal, glicoengenharia, química de glicomiméticos, engenharia de proteínas, bioinformática e integração de dados impulsionada por Inteligência Artificial.
Para a instituição, esta aprovação representa um marco de extrema importância, reforçando a liderança da UCIBIO e da NOVA FCT na formação de investigadores, na internacionalização e compromisso para com a investigação colaborativa, a capacitação científica e o impulso à inovação na investigação em oncologia.