- Em quarto duplo, a modalidade mais frequente nas instituições analisadas, a mensalidade média ponderada é de 1.717 euros, contra uma pensão média de velhice de 691,31 euros.
- Com 14 pagamentos anuais, a pensão equivale a cerca de cinco mensalidades em quarto individual e a seis meses e meio em quarto triplo.
- Para suportar a diferença entre a pensão e o custo da residência sénior, famílias procuram diversificar soluções que passam pela venda e ou arrendamento dos imóveis dos idosos.
A pensão média de velhice paga pela Segurança Social apenas garante ao idoso cerca de cinco meses e meio de estadia em quarto duplo numa residência sénior em Portugal. Se optar por um quarto triplo, partilhado com mais duas pessoas, o idoso consegue prolongar a permanência por quase mais um mês. Já num quarto individual, a pensão média mensal de 691,31 euros paga apenas cerca de cinco meses de alojamento. O alerta resulta da análise dos dados de agosto das Pensões de Velhice da Segurança Social e do 4º Retrato das Residências Sénior em Portugal, elaborado pela Via Senior e pela BA&N Research Unit. Considera os 14 pagamentos anuais da pensão e as 12 mensalidades da residência sénior.
Uma vaga em quarto duplo, a modalidade mais frequente nas instituições participantes no estudo, custa em média 1.717 euros por mês. Mesmo considerando os 14 pagamentos anuais da pensão, o rendimento do idoso não chega para suportar metade do custo anual da residência, deixando por pagar cerca de 11 mil euros. Esta diferença tem de ser assegurada através de outros rendimentos, poupanças ou apoio familiar.
“Há uma grande participação das famílias nestas decisões, não só pelo esforço financeiro envolvido, mas também porque querem garantir que os seus idosos são muito bem cuidados. Por outro lado, as famílias têm muito pouco tempo para procurar a melhor opção”, afirma Nuno Saraiva de Ponte, CEO da Via Senior.
Para suportar esta diferença, as famílias recorrem a uma combinação de soluções. À pensão do idoso juntam-se poupanças e contribuições financeiras dos filhos ou de outros familiares, que repartem entre si os encargos. Quando os recursos disponíveis continuam a ser insuficientes, as famílias são obrigadas a rever as suas expectativas e a procurar alternativas de alojamento mais económicas, considerando por exemplo opções noutros locais um pouco mais afastados da sua área de residência. A escolha de uma residência sénior deixa, assim, de depender apenas das necessidades do idoso e passa também pela capacidade financeira de toda a família.
A pressão financeira crescente sobre as famílias é suportada pelo 1.º Barómetro da Procura de Residências Sénior em Portugal. Entre as famílias que procuraram uma residência com um orçamento até 1.500 euros mensais e conseguiram concretizar a colocação, 52% acabaram por pagar acima do limite inicialmente definido. Os dados revelam ainda que nove em cada dez pedidos registados pela Via Senior em 2025 tinham um orçamento máximo de 2.000 euros por mês.
Estes resultados demonstram que a dificuldade das famílias não se limita a encontrar uma vaga, mas também a conseguir suportar o respetivo custo. Mesmo quando existe disponibilidade numa residência adequada às necessidades do idoso, a mensalidade pode ultrapassar a capacidade financeira inicialmente prevista, obrigando a mobilizar mais recursos ou a procurar outras alternativas.
“Temos conhecimento de várias famílias que, face à dificuldade de cobrirem a mensalidade praticada, pretendem rentabilizar os imóveis dos seus idosos. Pelo contacto das assistentes sociais com as famílias, esta é uma das soluções encontradas para encurtar a distância entre o custo das respostas e a capacidade financeira”, acrescenta Nuno Saraiva de Ponte.
À dificuldade em suportar os custos acresce o pouco tempo disponível para encontrar uma solução. Metade das colocações ocorre em menos de 15 dias e 87% são concretizadas no prazo de um mês. A procura surge frequentemente após um agravamento do estado de saúde ou uma perda de autonomia, quando as famílias já não conseguem assegurar os cuidados necessários no domicílio.
A esta urgência junta-se a escassez de vagas. Segundo o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, 70% das instituições participantes reportaram uma taxa de ocupação de 100% e 69% tinham lista de espera.
Perante este cenário, a Via Senior recomenda às famílias que antecipem a procura de uma unidade, antes de a necessidade de encontrar uma solução se tornar urgente. Conhecer antecipadamente as opções disponíveis permite visitar diferentes unidades, comparar preços e serviços e avaliar alternativas adequadas às necessidades do idoso e à capacidade financeira da família. Com mais tempo para decidir, as famílias ficam menos condicionadas pelas primeiras vagas disponíveis e têm maior margem para escolher a solução mais adequada.
Sobre a Via Senior
A Via Senior foi constituída com o objetivo de dotar as famílias da informação necessária para as suas decisões de vida sénior, adequadas ao seu perfil e necessidades clínicas, e para apoiá-las nesse processo, muitas vezes moroso e difícil. A atividade da Via Senior está concentrada numa plataforma digital onde é possível de forma simples e rápida obter informação sobre a oferta disponível de alojamento para seniores em todo o País. Destaca-se pela clareza na informação apresentada, não só pelo nível de detalhe do alojamento, como por permitir, à partida, saber os preços praticados. Adicionalmente, e como característica diferenciadora, faz o acompanhamento personalizado do processo de seleção, o que inclui a definição do perfil e necessidades, da lista de ofertas compatíveis, e o agendamento das visitas às residências. Trata-se de um serviço premium disponível para a população portuguesa e, recentemente, também a espanhola, que tem a particularidade de não ter qualquer custo para o utilizador.