Aula Aberta na FMUL | 29 outubro, 14h

Luís Nacul, primeiro autor de um consenso europeu sobre diagnóstico e organização dos cuidados na Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica, fará uma Aula Aberta na FMUL, a 29 de outubro.

O professor e investigador Luís Nacul, especialista em Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica (EM/SFC) e doenças crónicas complexas, estará em Lisboa no próximo dia 29 de outubro, às 14h00, para abordar os desafios do diagnóstico e da organização dos cuidados.

A Aula Aberta, subordinada ao tema «EM/SFC, COVID Longa e outras síndromes pós-infecciosas: abordagem clínica e evidência científica», é organizada pela Aliança Millions Missing Portugal (AMM), em colaboração com a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), e decorrerá no Auditório Prof. David Ferreira, com transmissão em direto no canal de YouTube da Faculdade.

Com experiência clínica no Reino Unido, Canadá e Brasil, Luís Nacul é professor associado clínico na University of British Columbia (UBC), no Canadá, e na London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM), no Reino Unido. Lidera o Complex Chronic Diseases Research Program (CCDRP), na UBC, e foi cofundador do CureME, na LSHTM.

Luís Nacul é o primeiro autor de um consenso europeu sobre o diagnóstico e a organização dos cuidados na EM/SFC, elaborado por 55 profissionais de saúde e investigadores de 22 países (incluindo Portugal) no âmbito da rede EUROMENE. Publicado em 2021, o documento identifica atrasos no diagnóstico, dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a necessidade de melhorar a articulação entre cuidados primários e especializados.

O especialista tem defendido a importância do diagnóstico precoce, da formação contínua dos profissionais de saúde e de uma abordagem clínica que tenha em conta a diversidade de manifestações e graus de gravidade destas doenças.

“Temos um número elevado de pessoas doentes que viveram situações de negligência, estigma, tratamentos inapropriados. Por isso, precisamos de médicos e profissionais de saúde que saibam ouvir e comunicar, que tenham experiência e acesso à melhor evidência científica. Porque o que alimenta a prática de saúde é a ciência traduzida em políticas de saúde, que têm de ser implementadas com urgência. Os pacientes não podem esperar”, refere Luís Nacul.

Em Portugal, a AMM tem vindo a alertar para a ausência de um percurso assistencial definido e defende a criação de um percurso assistencial mínimo para pessoas com EM/SFC, COVID Longa e outras síndromes pós-infeciosas, incluindo formação dos profissionais, coordenação dos cuidados e respostas adaptadas à gravidade da doença.

“Um inquérito europeu[1] aponta para um tempo médio de quase sete anos entre o início da doença e o diagnóstico de EM/SFC. Estas são doenças complexas, que afetam diferentes órgãos e cada doente de modo distinto. Podemos começar por aqui a explicar a dificuldade no diagnóstico, mas isso não justifica que tantos doentes continuem esquecidos e sem acesso aos cuidados de que necessitam. Ouvir quem, como Luís Nacul, tem experiência direta na organização dos cuidados é essencial para que também Portugal possa garantir uma resposta a estes doentes”, afirma Joan Serra-Hoffman, presidente da AMM Portugal.

Para mais contexto:

Vídeo da intervenção de Luís Nacul na 2ª Conferência Internacional Sobre Avanços Científicos em EM/SFC e Covid Longa, em novembro 2025.


[1] Arild Angelsen and Trude Schei. 2024. EMEA survey of ME/CFS patients in Europe: Same disease, different approaches and experiences. European ME Alliance (EMEA). Disponível em EMEAMEsurveyreport2024.pdf