Cerca de 3,2 milhões de portugueses sofrem de dores lombares. Embora a maioria dos episódios não esteja associada a uma doença grave, a TrueClinic alerta para os sinais que justificam avaliação clínica e aqueles que não devem ser ignorados.

A dor lombar é uma das queixas de saúde mais comuns e, na maioria dos casos, não está associada a um problema grave. Ainda assim, a duração, a evolução da dor e a presença de outros sintomas podem indicar que é altura de procurar avaliação médica.

Em Portugal, cerca de 3,2 milhões de pessoas com 15 ou mais anos, o equivalente a 31,7% da população, sofrem de dores lombares, segundo o Inquérito Nacional de Saúde 2025. É o problema de saúde crónico mais referido pelos portuguese e a Organização Mundial da Saúde identifica a lombalgia como a principal causa de incapacidade a nível mundial.

A TrueClinic alerta para a importância de saber distinguir uma dor transitória de situações em que a duração, a evolução ou outros sintomas associados justificam uma avaliação clínica.

“A intensidade da dor, por si só, não nos diz tudo. É importante perceber há quanto tempo existe, como está a evoluir, se interfere com as atividades habituais e se é acompanhada por outros sintomas. Uma dor que persiste durante semanas, que se agrava ou começa a limitar significativamente o dia a dia merece ser avaliada. E existem alguns sinais, sobretudo neurológicos, perante os quais não devemos esperar”, afirma o Dr. Rui Garrido, médico do Grupo TrueClinic.

Embora muitos episódios de lombalgia melhorem ao longo de algumas semanas, é aconselhável procurar avaliação quando:

  • a dor persiste durante várias semanas, se repete frequentemente ou se agrava;
  • interfere de forma significativa com o dia a dia, por exemplo ao caminhar, dormir ou realizar tarefas habituais;
  • surge acompanhada de dor ou alterações de sensibilidade nas pernas, sobretudo se existir perda de força;
  • existe febre, arrepios, perda de peso inexplicada ou sensação generalizada de doença;
  • a dor é persistente durante a noite ou apresenta características claramente diferentes do padrão habitual da pessoa.

Há sinais que exigem atenção imediata

Alguns sintomas são pouco frequentes, mas justificam procura de assistência médica urgente, nomeadamente alterações súbitas no controlo da bexiga ou intestinos, perda de sensibilidade na zona genital ou perineal, fraqueza ou dormência significativa nas duas pernas ou dor após um traumatismo importante.

Também uma dor muito intensa que surge subitamente ou se agrava rapidamente deve ser avaliada com brevidade.

Nem parar completamente nem fazer exames por rotina

Na ausência de sinais de alarme ou indicação clínica em contrário, manter algum nível de atividade e retomar progressivamente as atividades habituais é geralmente preferível a períodos prolongados de repouso.

Variar posições ao longo do dia, evitar permanecer demasiado tempo imóvel e manter atividade física regular adaptada à condição individual podem contribuir para a saúde musculoesquelética.

Mais do que normalizar uma dor persistente ou, no extremo oposto, assumir que qualquer desconforto significa uma lesão grave, importa acompanhar a sua evolução e reconhecer os sinais que justificam avaliação clínica.