A Ordem dos Médicos manifesta crescente preocupação com a forma como o país está a responder ao acompanhamento das grávidas, tanto nos serviços de urgência como nos cuidados de saúde primários, nomeadamente em zonas mais carenciadas de profissionais de saúde.

Nas últimas semanas, a Ordem dos Médicos voltou a alertar o Ministério da Saúde para a necessidade urgente de atrair mais médicos especialistas, condição essencial para corrigir as carências estruturais que afetam o SNS.

Há uma semana, a Ordem dos Médicos entregou ao Ministério da Saúde uma proposta sólida e responsável para reforçar o acompanhamento da gravidez nos cuidados de saúde primários. A proposta assenta no respeito rigoroso pelas competências de cada profissão e coloca o médico de família no centro das equipas multidisciplinares, assegurando qualidade assistencial e segurança das grávidas.

Para que qualquer modelo pudesse avançar de forma segura, a Ordem dos Médicos defendeu a elaboração prévia de protocolos clínicos e a constituição de uma comissão técnica de acompanhamento. O documento reafirma ainda a necessidade de evitar qualquer forma de usurpação dos atos próprios dos médicos de família, essenciais para proteger os cuidados às grávidas e às crianças.

Até ao momento, o Ministério da Saúde não apresentou qualquer resposta ao documento.

Ao invés do que seria desejável, prepara-se agora para anunciar um projeto não estruturado de acompanhamento e vigilância da gravidez de baixo risco que contraria princípios elementares de funcionamento das equipas no SNS, ignora recomendações técnicas fundamentais e não traduz nenhum princípio de reforma necessária nesta área.

“Lamentamos que o Ministério da Saúde não tenha valorizado o contributo da Ordem dos Médicos e que esteja a desconsiderar a participação dos médicos, e nomeadamente dos médicos de família, no percurso assistencial das grávidas”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos.

“Cada profissão tem competências essenciais, mas neste processo o papel do médico é absolutamente central e não substituível. Neste ponto não podem existir equívocos”, destaca Carlos Cortes.

“Trabalhar em equipa não significa substituir uns profissionais por outros. Esse é um caminho profundamente errado, no qual a Ordem dos Médicos não participará”, reforça o Bastonário da Ordem dos Médicos.

“Numa área tão sensível e tão exigente como o acompanhamento da gravidez, é imperativo preservar as competências próprias de cada profissão. Evitar confusões e atalhos é crucial para garantir qualidade e segurança às grávidas, algo que, nas condições anunciadas, não está assegurado”, sublinha.

A Ordem dos Médicos já apresentou ao Ministério da Saúde um plano concreto para atrair e fixar médicos no SNS, incluindo nos cuidados de saúde primários e na área da saúde materna. Reitera, uma vez mais, a sua total disponibilidade para colaborar na construção de soluções que reforcem a resposta do SNS e protejam o acompanhamento das grávidas em Portugal.