Estudo apresentado na Conferência dos 10 anos do Programa abem: revela impactos significativos na saúde, qualidade de vida e acesso ao medicamento

Ao longo dos seus dez anos de atividade, o Programa abem: contribuiu commais de 13 milhões de euros para apoiarpessoas em condição económica desfavorecida a adquirirem os medicamentos de que precisam. Os dados constam da mais recente Avaliação de Impacto Social do Programa abem:, apresentada esta terça-feira, 26 de maio, na Conferência “Programa abem:, 10 anos a cuidar com impacto”, promovida pela Associação Dignitude, em Lisboa.

Desde a sua criação, em 2016, o Programa abem: já apoiou mais de 46 300 beneficiários e mais de 26 300 famílias, tendo contribuído para a dispensa de mais de 3,6 milhões de embalagens de medicamentos através de uma rede composta por 1 281 farmácias e 206 entidades referenciadoras, distribuídas por 176 concelhos em todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

Segundo o mesmo estudo, o Programa abem: por cada euro investido gerou um retorno potencial de 3,0 a 3,3 euros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para a Segurança Social. Estima-se ainda uma poupança potencial entre 10,47 milhões e 11,35 milhões de euros para o SNS ao longo dos dez anos do programa, resultado associado à redução de episódios de urgência, internamentos, consultas hospitalares e outros cuidados de saúde.

A Avaliação de Impacto Social evidencia melhorias significativas na vida dos beneficiários após o acesso ao Cartão abem:. Segundo o estudo, 87,8% dos beneficiários passaram a conseguir comprar os medicamentos prescritos com maior regularidade, enquanto 66,5% referiram ter maior capacidade para suportar outras despesas essenciais. Além disso, 75,9% indicaram ter reduzido a necessidade de pedir dinheiro emprestado ou ajuda para adquirir medicamentos.

Os resultados apontam também para melhorias ao nível da saúde física e mental. Mais de 97,1% dos beneficiários registou uma mudança positiva na sua vida familiar após a integração no Programa abem: Estes dados sugerem que, ao eliminar o dilema financeiro entre a saúde e o sustento do lar, o Programa reduz a ansiedade financeira e o estigma da carência, promovendo um ambiente doméstico mais favorável à estabilidade clínica e ao bem-estar coletivo.

O estudo revela ainda impactos positivos na diminuição da dor e níveis de ansiedade, e na melhoria da mobilidade, autonomia e qualidade de vida familiar dos beneficiários.

A avaliação destaca igualmente o impacto sistémico do programa. Para o ano de 2025, as estimativas apontam para potenciais custos evitados entre 43,7 milhões e 47,3 milhões de euros para o SNS e para 53,2 milhões de euros de potenciais custos evitados para a Segurança Social, quando projetados para a respetiva população em risco.

“Ao longo destes dez anos, o Programa abem: demonstrou que garantir o acesso à medicação é um investimento com impacto direto na saúde, na dignidade e na qualidade de vida das pessoas. Os resultados deste estudo mostram-nos que, quando conseguimos assegurar algo tão essencial como o acesso aos medicamentos, estamos a prevenir doença, a reduzir pressão sobre o SNS e a Segurança Social, bem como a promover maior estabilidade social e familiar”, sublinha Sara Nóbrega, diretora executiva da Associação Dignitude.

O impacto ambiental do Programa também foi analisado. Entre 2016 e 2025, estima-se que tenham sido evitadas entre 1 152 e 1 248 toneladas de emissões de CO2e, bem como entre 759 e 822 toneladas de resíduos biomédicos, resultado da redução do recurso a serviços de saúde e internamentos.

A Conferência “Programa abem:, 10 anos a cuidar com impacto” assinalou uma década de atividade do Programa abem: e reuniu representantes dos setores social, da saúde, autárquico e empresarial para refletir sobre os desafios da equidade no acesso ao medicamento e da sustentabilidade social.

O evento contou com a participação do Professor Doutor Carlos Farinha Rodrigues, Professor Associado do ISEG – Universidade de Lisboa, enquanto keynote speaker, com a intervenção “Equidade e Acesso: Desafios para a Próxima Década”.

A mesa-redonda dedicada ao mesmo tema reuniu Idália Serrão, administradora executiva da Fundação Montepio, Pedro Moura, diretor-geral da Merck Portugal, Filipe Almeida, presidente da Estrutura de Missão Portugal Inovação Social 2030, Álvaro Azedo, presidente da Câmara Municipal de Moura, e Madalena Neves, farmacêutica e proprietária da Farmácia Algarve.

Durante a Conferência realizou-se ainda a Cerimónia de Obliteração do Postal Comemorativo dos 10 anos do Programa abem:, assinalando simbolicamente o impacto social desenvolvido ao longo da última década.

A Conferência contou com o Alto Patrocínio de Sua Excelência o Presidente da República.

O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento é uma iniciativa apoiada pela Portugal Inovação Social, através de Fundos da União Europeia.

Fica técnica da Avaliação de Impacto Social do Programa abem:

  1. Período de análise: A avaliação incide sobre os dados acumulados entre 2016 e Dezembro de 2025.
  2. Período de recolha de dados: A recolha de dados primários foi realizada entre Novembro de 2025 e Fevereiro de 2026.

Metodologia de Avaliação

  1. Abordagem metodológica: O estudo adotou uma metodologia mista (quantitativa e qualitativa), assente na Teoria da Mudança (revista e validada em 2025).
  2. Modelo de Análise: Foi utilizado um modelo de análise pre/post (retrospetivo), no qual os beneficiários avaliaram, através de questionário online, a sua situação, comparando um período homólogo de 12 meses antes e 12 meses após a integração no Programa abem:.
  3. Cálculo dos benefícios diretos do Programa abem:: O cálculo do valor presente dos benefícios fundamentou-se numa Análise Custo-Benefício, com atualização monetária dos custos operacionais da Associação Dignitude face às potenciais despesas evitadas ao SNS e à Segurança Social.

Fontes de Dados Primários (Recolha Direta)

  1. Inquéritos e Questionários: Aplicação de inquéritos digitais semiestruturados, tendo sido validadas 943 respostas completas.
  2. Grupos Focais: Realização de 6 sessões qualitativas (em formato remoto), envolvendo um total de 37 participantes.

Fontes de Dados Secundários (Consultadas)

  1. Bases de Dados Oficiais: Extração de indicadores socioeconómicos, demográficos e de saúde da World Health Organization (WHO), INE, Pordata, INFARMED, CEFAR, Serviço Nacional de Saúde (SNS) e Instituto da Segurança Social. Para a atribuição de custos unitários a ocorrências médicas e internamentos, recorreu-se à plataforma One Value (ACSS).
  2. Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica (SIG): Utilização do Google Maps para a medição e quantificação das distâncias (em quilómetros) percorridas pelos beneficiários até às Entidades Referenciadoras e unidades de saúde. Recorreu-se ao Google My Maps para georreferenciação da rede de Entidades Referenciadoras e de Farmácias abem:
  3. Literatura Científica e Referenciais Técnicos: Enquadramento analítico suportado por relatórios da Nova SBE, indicadores de economia da saúde da OCDE, e métricas ambientais do Conselho Português para a Saúde e Ambiente (CPSA) e OMS.

Entidade responsável pelo Estudo de Avaliação de impacto: Stone Soup Consulting.

Sobre a Associação Dignitude:

A Associação Dignitude nasceu no dia 4 de novembro de 2015, em Coimbra, onde está sedeada. É uma Instituição Particular de Solidariedade Social que tem como missão o desenvolvimento de programas solidários de grande impacto social, que promovam a qualidade de vida e o bem-estar dos portugueses.

São Associados Promotores a Cáritas Portuguesa, a Plataforma Saúde em Diálogo, a Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica e a Associação Nacional das Farmácias. Através de protocolos institucionais, juntaram-se ao projeto a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, a União das Misericórdias Portuguesas, a Associação de Farmácias de Portugal e a Associação Nacional de Municípios Portugueses.

Foram Associados Fundadores da Dignitude: António Arnaut; António Ramalho Eanes; Francisco Carvalho Guerra; João Gonçalves da Silveira; João Cordeiro; Maria de Belém Roseira; Odette Santos Ferreira e Ana Paula Martins.

Sobre o Programa abem: Rede Solidária do Medicamento

O Programa abem: Rede Solidária do Medicamento é um projeto inovador da Associação Dignitude. Tem como objetivo permitir o acesso, de forma digna, aos medicamentos prescritos a quem não tem capacidade financeira para os adquirir, cobrindo, no receituário, o valor não comparticipado pelo Estado.

abem: está presente em todo o país, incluindo regiões autónomas. Assenta numa rede de parcerias que assegura o circuito solidário do medicamento. As famílias em situação de carência podem ser referenciadas ao Programa pelas Entidades Parceiras Locais, que vão desde Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, a IPSS e outras instituições da área social. Depois de referenciado, cada elemento da família tem acesso ao Cartão abem: bastando apresentá-lo numa farmácia abem: para poder adquirir os medicamentos comparticipados que lhe forem prescritos. A despesa realizada é coberta pelo Fundo Solidário, 100% dedicado à comparticipação de medicamentos aos beneficiários abem:.