Dia Mundial Sem Tabaco, 31 de maio
O impacto do tabagismo passivo não se limita às pessoas: cães e gatos que vivem em ambientes com fumo também podem sofrer consequências graves para a saúde. No âmbito do Dia Mundial Sem Tabaco, assinalado a 31 de maio, a AniCura alerta para os riscos da exposição contínua ao fumo do tabaco nos animais de companhia, um tema ainda pouco reconhecido pelos cuidadores.

A exposição regular ao fumo pode aumentar o risco de problemas respiratórios, irritação crónica das vias aéreas e determinadas doenças oncológicas. Os animais entram em contacto com partículas tóxicas através da inalação direta e do contacto com superfícies contaminadas, sobretudo em ambientes fechados. Mesmo quando o fumo já não é visível, resíduos de nicotina e outros compostos tóxicos podem permanecer em sofás, cortinas, tapetes e roupa, prolongando a exposição dos animais ao longo do tempo.

Os gatos são considerados um dos grupos mais vulneráveis. Por um lado, os seus hábitos de higiene levam-nos a ingerir substâncias tóxicas acumuladas no pelo enquanto se lambem. Por outro, passam grande parte do tempo ao nível do chão, onde as partículas mais pesadas do fumo tendem a depositar-se. Estudos científicos têm associado esta exposição ao aumento do risco de linfoma e carcinoma de células escamosas em gatos sujeitos a fumo de tabaco ambiental.

Nos cães, o tabagismo passivo pode contribuir para irritação das vias respiratórias, agravamento de doenças respiratórias crónicas e maior predisposição para determinados tumores, sobretudo em animais mais sensíveis ou com historial clínico prévio.

O impacto do tabaco nos animais de companhia continua a ser subestimado por muitos cuidadores. Tosse persistente, espirros frequentes, dificuldade respiratória, fadiga ou alterações no comportamento podem ser sinais de alerta que justificam avaliação médico-veterinária”, explica Joaquim Henriques, médico-veterinário e diretor do serviço de referência em oncologia do AniCura Atlântico Hospital Veterinário.

Estudos recentes reforçam esta preocupação: uma investigação publicada em fevereiro de 2024 no The Veterinay Journal associou a exposição ao fumo do cigarro a um maior risco de cancro da bexiga em Scottish Terriers, identificando a exposição ao fumo passivo como o principal fator modificável de risco nesse grupo.

Além do tabagismo tradicional, a exposição a aerossóis de cigarros eletrónicos merece atenção especial: embora o seu impacto nos animais ainda seja pouco estudado, os líquidos de vaporização contêm nicotina e outros compostos potencialmente tóxicos. A ingestão acidental de cartuchos ou líquidos de recarga representa um risco imediato e grave de intoxicação por nicotina, devendo ser tratada como urgência veterinária.

Como proteger os animais de companhia?

  • Evitar fumar dentro de casa ou em espaços fechados onde os animais permaneçam regularmente;
  • Lavar as mãos antes de tocar no animal após fumar;
  • Higienizar regularmente superfícies, tapetes, almofadas e a cama do animal, para remover resíduos de fumo terciário;
  • Garantir ventilação adequada nos espaços partilhados.

O acompanhamento médico-veterinário regular é igualmente essencial para identificar precocemente alterações respiratórias ou outros sinais clínicos associados à exposição ambiental ao tabaco.

Tal como acontece nas pessoas, a prevenção continua a ser a melhor forma de proteção. Muitos cuidadores desconhecem que os seus hábitos podem ter impacto direto na saúde dos animais com quem vivem diariamente”, finaliza Joaquim Henriques.