A Ordem dos Médicos manifesta preocupação com as sucessivas substituições de diretores clínicos e de conselhos de administração no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Desde 2024, ano da generalização do modelo das Unidades Locais de Saúde (ULS), foram substituídos cerca de 50 diretores clínicos, um número que deve merecer reflexão séria.

As direções clínicas e os conselhos de administração, no seu conjunto, são peças essenciais para garantir organização, continuidade e segurança no SNS. Em unidades pressionadas pela falta de médicos e outros profissionais, pelas listas de espera e por dificuldades estruturais de resposta, a substituição frequente destas lideranças não ajuda à estabilidade das ULS nem ao bom funcionamento do SNS.

O SNS precisa de previsibilidade, de equipas estáveis e de valorizar quem assume responsabilidades de direção em contextos particularmente exigentes.

“O SNS precisa de estabilidade. Precisa de valorizar quem se dedica diariamente a fazê-lo funcionar, sobretudo quem assume cargos de direção num contexto de grande exigência e de profundas dificuldades estruturais”,
afirma Carlos Cortes, Bastonário da Ordem dos Médicos.

A Ordem dos Médicos defende que deve existir avaliação, transparência e responsabilização. Mas responsabilizar não pode significar simplificar problemas estruturais, transformando-os em culpa individual de quem está no terreno.

Todos conhecem as enormes dificuldades do SNS e sabem que conselhos de administração, direções clínicas, médicos e restantes profissionais trabalham todos os dias, muitas vezes no limite, para garantir cuidados aos cidadãos.

“As dificuldades do SNS não se resolvem com mudanças sucessivas de nomes, nem com respostas imediatistas. Superam-se com médicos em número suficiente, equipas completas e estáveis, autonomia técnica, boa organização e condições de trabalho que permitam fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde. E sobretudo valorizando as pessoas”, sublinha o Bastonário.

A prioridade deve ser apoiar as lideranças clínicas e os conselhos de administração, dar-lhes condições, meios e previsibilidade. Sem estabilidade nas equipas e sem valorização das pessoas, nenhuma reorganização produzirá resultados reais no acesso, na qualidade e na segurança dos cuidados.

A Saúde exige responsabilidade, serenidade e foco no essencial: garantir a cada cidadão cuidados de qualidade, no tempo certo, com equipas estáveis e profissionais respeitados. Cuidar do SNS é também cuidar de quem o lidera e de quem todos os dias o mantém a funcionar.