Em plena época de Mundial, o Dr. Miguel Raimundo recorre ao futebol para descomplicar a Procriação Medicamente Assistida, estabelecendo um paralelismo entre os jogadores da Seleção Nacional e cada etapa de um tratamento de fertilidade.

Como se explica um tratamento de fertilidade de forma simples, próxima e acessível? Em plena época de Mundial, o especialista em Medicina da Reprodução, Dr. Miguel Raimundo, encontrou uma resposta através da paixão nacional: o futebol.

Numa analogia que aproxima a ciência do dia a dia, o médico compara um tratamento de Procriação Medicamente Assistida (PMA) ao onze inicial da Seleção Nacional, atribuindo a cada jogador um papel equivalente às diferentes fases, técnicas e profissionais envolvidos no processo.

“Se o tratamento de fertilidade fosse o onze de Portugal, o Cristiano Ronaldo seria o blastocisto, o embrião com maior potencial de implantação. É quem está preparado para finalizar a jogada e marcar o golo”, explica.

Ao lado do capitão surge Rafael Leão, que representa o embrião ainda em desenvolvimento na incubadora. Tal como um jogador que está a ganhar ritmo até atingir o seu melhor nível, também o embrião passa por várias divisões celulares até chegar ao estádio de blastocisto.

Na frente de ataque aparece Francisco Conceição, comparado ao espermatozoide, pequeno, rápido e com um objetivo muito claro: alcançar o óvulo no momento certo.

No meio-campo, Bruno Fernandes assume o papel do embriologista, o profissional responsável por observar, acompanhar e orientar o desenvolvimento dos embriões em laboratório, garantindo que todas as etapas decorrem da melhor forma. Já João Neves simboliza a ICSI (Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoides), uma técnica de elevada precisão que consiste na introdução de um único espermatozoide diretamente no óvulo para promover a fecundação.

Vitinha representa o ovário, estrutura responsável pela produção dos óvulos, enquanto Nuno Mendes é comparado ao cateter utilizado na transferência embrionária, o instrumento que permite colocar o embrião no útero com precisão e delicadeza.

Na defesa, Gonçalo Inácio assume o papel da incubadora, onde os embriões permanecem em condições cuidadosamente controladas de temperatura, humidade e gases para garantir o seu desenvolvimento. Ao seu lado está Rúben Dias, que representa a progesterona, hormona essencial para preparar o útero e favorecer a implantação do embrião.

João Cancelo é o “trigger”, a medicação administrada no momento certo para desencadear a maturação final dos óvulos antes da sua recolha, enquanto Diogo Costa simboliza a vitrificação, técnica de congelação ultrarrápida que permite preservar óvulos, espermatozoides e embriões para utilização futura.

No banco está Roberto Martínez, comparado ao médico especialista em Medicina da Reprodução. Tal como um selecionador conhece as características de cada jogador e define a estratégia para vencer, também o médico avalia cada caso, coordena a equipa multidisciplinar e desenha o plano de tratamento mais adequado para maximizar as probabilidades de sucesso.

A analogia termina com uma referência aos verdadeiros adeptos: os casais, familiares e amigos que acompanham e apoiam quem enfrenta um percurso de infertilidade. “Tal como no futebol, também nos tratamentos de fertilidade o apoio faz a diferença”, sublinha o especialista.

Com esta iniciativa, o Dr. Miguel Raimundo pretende tornar mais acessível um tema frequentemente envolto em dúvidas e receios, mostrando que um tratamento de fertilidade é o resultado do trabalho coordenado de diferentes profissionais, técnicas e etapas que, em equipa, procuram alcançar o melhor resultado possível: uma gravidez.

Veja o vídeo aqui.

Sobre:

Miguel Raimundo é médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia (OM: 52741), com atividade na área da medicina da reprodução, investigador e gestor na área da saúde. Licenciado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, concluiu o mestrado em Medicina da Reprodução na Universidade Rey Juan Carlos, em Madrid, e é doutorado pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa, onde desenvolve investigação aplicada à saúde reprodutiva. Tem presença regular nos meios de comunicação social enquanto especialista convidado.