A ProVeg Portugal lançou um manual técnico para orientar a revisão de cadernos de encargos na alimentação coletiva, combinando sustentabilidade ambiental, ganhos na saúde pública e eficiência orçamental.Lisboa
A associação ProVeg Portugal lançou um novo guia dedicado à alimentação coletiva, com o objetivo de promover refeitórios públicos mais saudáveis e sustentáveis. O documento destaca a importância da inclusão diária e apelativa de leguminosas e hortícolas nas ementas escolares, da diversificação das fontes de proteína, da priorização de produtos sazonais, de proximidade e de produção ecológica, bem como da limitação do consumo de alimentos ultraprocessados. O guia afirma-se como uma ferramenta estratégica para apoiar as entidades públicas na definição de cadernos de encargos que integrem critérios de sustentabilidade e de promoção da saúde.Intitulado de Ementas e Compras Públicas Sustentáveis: Leguminosas na Restauração Pública’, o relatório alerta que a alimentação coletiva representa uma alavanca crucial para a sustentabilidade ambiental, considerando as milhões de refeições consumidas diariamente, na Europa. “A contratação pública representa cerca de 15% do PIB da União Europeia”, afirma Joana Oliveira, Diretora Nacional da ProVeg Portugal. “Verificámos que ações simples, como incluir mais vegetais nas ementas, não só reduz a pegada ecológica, como constitui uma oportunidade de poupança financeira substancial para os cofres do Estado português”.O desafio do consumo de leguminosas em PortugalO foco central do guia reside nas leguminosas, tais como o feijão, o grão-de-bico, as lentilhas e as favas. Embora se tratem de alimentos ricos em proteína vegetal, fibra, vitaminas e minerais, o consumo médio diário em Portugal permanece significativamente abaixo do recomendado pela Roda dos Alimentos. Para inverter este cenário, a ProVeg Portugal propõe diretrizes técnicas para os novos contratos públicos assentes em quatro pilares: a inclusão obrigatória e diária de leguminosas, a par com as hortícolas, nas ementas; privilegiar a produção de proximidade e sazonal através de circuitos curtos para apoiar a agricultura nacional; e restrição aos alimentos ultraprocessados, dando primazia a opções menos processadas e integrais.Impacto orçamental, ambiental e na saúdeDe acordo com um estudo desenvolvido pela Bryant Research e promovido pela ProVeg International, estabelecer uma meta de 85% de alimentos de origem vegetal nas compras públicas alimentares tem o potencial de gerar uma poupança direta de 57 milhões de euros anuais nos orçamentos de aquisição de alimentos do Estado português.A mesma análise prevê também uma redução de 177,4 milhões de euros em custos ambientais e um ganho preventivo na saúde pública capaz de evitar quase 26 mil futuros casos de obesidade na população adulta portuguesa, sublinhando o impacto concreto e tangível da implementação do novo guia da ProVeg Portugal.Apoio técnico gratuito às instituiçõesNo âmbito do seu compromisso com a promoção de uma alimentação coletiva mais sustentável, a ProVeg Portugal anunciou a disponibilização de apoio técnico e serviços de consultoria gratuitos às entidades públicas.O objetivo da organização é apoiar as entidades públicas na elaboração ou revisão dos cadernos de encargos, de forma a contribuir para o desenvolvimento de ementas que conciliem a aceitação por parte dos utentes, a adequação nutricional e a sustentabilidade ambiental.