Estudo do Observatório da APESP permite conhecer pela primeira vez esta realidade a nível nacional. Instituições atribuem bolsas com valor médio anual de 1894 euros

As instituições de ensino superior privado dispõem de uma rede estruturada de apoio aos estudantes que vai muito para além das bolsas de estudo, revela um estudo do Observatório do Ensino Superior Privado, que traça, pela primeira vez, um retrato nacional desta realidade.

De acordo com o levantamento, 95% das instituições do setor disponibilizam apoio psicológico, 91% asseguram acompanhamento académico através de mentorias, tutorias ou gabinetes de apoio. Paralelamente, 93% oferecem planos flexíveis de pagamento das propinas ou moratórias e 64% atribuem bolsas de estudo próprias (com um valor médio anual de 1894 euros). No ano letivo de 2024/2025, 5759 estudantes beneficiaram de descontos no valor das suas propinas, atribuídos pelas instituições com base em critérios de vulnerabilidade ou mérito académico.

Os dados recolhidos pelo Observatório identificam ainda outras respostas disponibilizadas pelas instituições, como apoios alimentares, apoio ao alojamento, empréstimo de equipamentos informáticos e programas dirigidos a estudantes com necessidades específicas, refletindo uma abordagem cada vez mais abrangente ao apoio aos estudantes.

Este estudo permite, pela primeira vez, conhecer de forma sistematizada a realidade do ensino superior privado nesta matéria e mostra que a ação social não é unidimensional. Evidencia uma oferta muito diversificada de mecanismos de apoio aos estudantes, identificando o alojamento como uma área em que subsistem desafios de resposta e que continua a exigir maior capacidade de investimento”, refere a coordenadora do Observatório, Cristina Ventura.

O levantamento revela ainda que 89% das instituições dispõem de práticas de ação social documentadas e que igual percentagem possui gabinetes ou serviços dedicados à ação social, demonstrando que estas respostas estão incorporadas na organização da maioria das instituições.

Para a APESP, os resultados evidenciam o investimento realizado pelas instituições privadas no desenvolvimento de mecanismos de apoio aos estudantes, numa fase particularmente relevante para milhares de candidatos e famílias que se encontram a escolher onde prosseguir os estudos.

“Os estudantes enfrentam hoje desafios cada vez mais diversificados e as instituições têm procurado adaptar as suas respostas a essa realidade. O apoio aos estudantes passa pela componente financeira, mas inclui também áreas como a saúde mental, o acompanhamento académico ou a flexibilização do pagamento das propinas”, afirma António Almeida Dias, presidente da Associação Portuguesa do Ensino Superior Privado, responsável pelo Observatório.