Depressão pós-parto afeta entre 10% a 20% das mulheres em Portugal. Nova formação em Saúde Mental Perinatal arranca em janeiro

A Faculdade de Ciências da Saúde e Enfermagem (FCSE) da Universidade Católica Portuguesa (UCP) vai lançar a primeira pós-graduação em Saúde Mental Perinatal, uma formação destinada a capacitar os profissionais de saúde para identificar e intervir precocemente nas perturbações mentais que podem surgir entre a conceção e o primeiro ano após o parto. O curso decorre a partir de janeiro 2027 em regime presencial.

A gravidez, o parto e o período pós-parto envolvem profundas alterações biológicas, psicológicas e sociais. Estima-se que entre 10% a 20% das mulheres em Portugal desenvolvam depressão pós-parto, uma das complicações mais frequentes do período pós-natal. Durante a gravidez, a depressão poderá afetar entre 7% e 25% das mulheres, enquanto as perturbações de ansiedade apresentam uma prevalência próxima dos 20% no período perinatal.

Quando não são identificadas e acompanhadas, estas perturbações podem afetar o bem-estar da mulher, o funcionamento familiar e a relação entre pais e filhos. A saúde mental parental, em particular a materna, pode também influenciar o desenvolvimento neuropsicológico do bebé e a qualidade da vinculação, com efeitos que se podem prolongar ao longo de toda a vida da criança.

“Investir na saúde mental perinatal significa prevenir o sofrimento e criar melhores condições para o desenvolvimento das crianças e para o bem-estar das famílias. Dotar os profissionais de saúde de conhecimentos e ferramentas para identificar situações de risco e atuar precocemente é, por isso, uma prioridade de saúde pública,” afirma Rita Navarro, médica e uma das coordenadoras da pós-graduação.

Formação cruza saúde mental parental e desenvolvimento infantil

O programa aborda os processos normativos da gravidez, do parto e do pós-parto, bem como a psicopatologia perinatal e as respetivas intervenções de diagnóstico e tratamento. Inclui ainda conteúdos sobre a amamentação, o sono do bebé, a vinculação e o impacto da saúde mental na parentalidade, bem como o impacto psicológico da infertilidade e do luto reprodutivo.

O corpo docente é multidisciplinar e reúne especialistas em psiquiatria e saúde mental, psiquiatria perinatal, ginecologia e obstetrícia, pediatria e neonatologia, pedopsiquiatria, medicina geral e familiar, psicologia clínica e psicoterapia, enfermagem de saúde materna e saúde mental, serviço social e aleitamento materno.

A Pós-Graduação em Saúde Mental Perinatal destina-se a enfermeiros, médicos, fisioterapeutas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, terapeutas da fala e nutricionistas.

Saiba mais em: https://fcse.lisboa.ucp.pt/postgraduate-and-advanced-training-school/postgraduate-programs/pos-graduacao-em-cuidados-integrados-em-saude-mental-perinatal/coordenacao-e-corpo-docente