·         Avita Taricuarima, bióloga peruana e representante do povo indígena Kukama, apresentou no GLEX Ignition, em Coimbra, uma investigação sobre microrganismos da Amazónia que poderão contribuir para combater a poluição por plásticos.

·         A investigadora já isolou mais de dez colónias de microrganismos recolhidos no Rio Fervilhante, cujas capacidades de degradação de diferentes tipos de plástico estão a ser testadas em laboratório, com resultados preliminares promissores.

·         Primeira mulher Kukama da sua comunidade a ingressar na universidade, Avita Taricuarima defende que o conhecimento ancestral dos povos indígenas e a investigação científica devem trabalhar em conjunto na procura de soluções para os desafios ambientais.

Microrganismos encontrados num rio da Amazónia poderão ajudar a encontrar novas soluções para um dos maiores problemas ambientais do planeta: a poluição por plásticos. A investigação foi apresentada pela bióloga peruana Avita Taricuarima, representante do povo indígena Kukama, durante o GLEX Ignition, encontro internacional dedicado à exploração científica, que decorreu nos dias 29 e 30 de outubro, em Coimbra.

A investigadora revelou que já conseguiu isolar mais de dez colónias de microrganismos recolhidos no Rio Fervilhante, na Amazónia peruana, estando a estudar em laboratório a sua capacidade para degradar diferentes tipos de plástico.

«Os meus resultados ainda são preliminares, mas já consegui isolar mais de dez colónias de microrganismos recolhidos no Rio Fervilhante. Estamos a testar a sua capacidade de degradar diferentes tipos de plástico em laboratório e os resultados são promissores. Acredito que estes microrganismos poderão ajudar-nos a encontrar novas soluções para um problema ambiental que afeta todo o planeta», afirmou Avita Taricuarima.

Primeira mulher Kukama da sua comunidade a ingressar na universidade, a bióloga desenvolve também investigação sobre parasitas presentes em peixes consumidos pelas populações locais, procurando aproximar o conhecimento científico das necessidades das comunidades amazónicas.

Na sua intervenção no GLEX Ignition, Avita Taricuarima defendeu que a ciência contemporânea tem muito a ganhar com os conhecimentos transmitidos ao longo de gerações pelos povos indígenas, particularmente no que respeita à biodiversidade e à preservação dos ecossistemas.

«A ciência e o conhecimento ancestral não precisam de estar separados. A Biologia dá-me ferramentas para estudar a natureza e encontrar novas soluções, mas o conhecimento dos meus antepassados ensina-me a respeitá-la e a compreender a relação que temos com ela. Acredito que, quando estes dois saberes trabalham em conjunto, podemos construir um futuro mais forte», sublinhou.

Para a investigadora, a proteção da Amazónia exige igualmente uma mudança na forma como a sociedade se relaciona com a natureza.

«Para os povos indígenas, a floresta, os animais e os rios não são apenas recursos que utilizamos quando precisamos. São a nossa identidade, a nossa família, a nossa mãe. Quando o rio está doente, eu também estou doente. Se começarmos a olhar para a natureza como parte da nossa família, vamos protegê-la com muito mais respeito e dedicação», concluiu.

Organizado pela Expanding World Portugal, em parceria com o The Explorers Club, de Nova Iorque, o GLEX Ignition reuniu, em Coimbra, astronautas, cientistas, investigadores e responsáveis por algumas das mais ambiciosas missões de exploração científica, promovendo o debate sobre as novas fronteiras do conhecimento e os desafios do futuro.