- Infertilidade de fator masculino representa entre 30 a 40% das causas globais de infertilidade nos casais e está a ganhar relevância
- Investigação mostra que idade paterna tem impacto no projeto reprodutivo e reforça a importância de considerar novas abordagens no estudo da saúde reprodutiva masculina
A infertilidade masculina está a ganhar relevância, mas continua a ser uma dimensão pouco valorizada na saúde reprodutiva, não obstante ter um papel determinante na concretização do projeto parental.Apesar de representar 30 a 40% das causas globais de infertilidade nos casais, a prevenção e o conhecimento sobre doenças e fatores que podem comprometer a fertilidade masculina permanecem ainda limitados. Um estudo liderado pelo IVI Institute revela que os homens com mais de 45 anos apresentam 31% mais mutações no esperma do que os homens com menos de 30 anos.
A idade do homem desempenha assim um papel cada vez mais importante na saúde reprodutiva e pode ter implicações para a descendência. No mês dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças masculinas, o IVI Institute alerta para a falta de literacia e consciencialização para a fertilidade masculina.
O estudo “Increased sperm-specific somatic mutations in advanced paternal age: implications for preconception genetic screening”, apresentado na 42ª reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), demonstra que com o avançar da idade, se acumulam mutações genéticas no esperma, algumas das quais não são identificadas através de testes genéticos convencionaisrealizados ao sangue, e que podem influenciar o desenvolvimento do embrião. De acordo com a investigação, os homens com mais de 45 anos têm 31% mais mutações no esperma, comparativamente a homens com menos de 30 anos.
Para o Dr. Samuel Ribeiro, especialista em medicina de reprodução do IVI Fertility Lisboa, “Quando se fala de fertilidade, a atenção continua centrada sobretudo na mulher. Durante décadas, a investigação focava-se na idade da mulher e na diminuição da sua reserva ovárica. Contudo, estes resultados reforçam a importância de aprofundar o conhecimento sobre o impacto da idade paterna e as suas implicações na saúde reprodutiva.”
A idade do pai também importa no projeto reprodutivo
A idade paterna, tradicionalmente relegada para segundo plano em relação à idade da mãe nos estudos sobre fertilidade, começa a ocupar um lugar central nas investigações mais recentes sobre reprodução assistida. Ao contrário do que acontece com as mulheres, cuja reserva de ovócitos diminui com a idade, os homens continuam a produzir espermatozoides ao longo da vida. No entanto, isso não significa que a sua capacidade reprodutiva e qualidade genética dos espermatozoides permaneçam inalteradas. A investigação levada a cabo identificou um aumento das mutações genéticas no esperma associado ao envelhecimento masculino, particularmente a partir dos 45 anos. Contudo, essas alterações não significam necessariamente que venham a ser transmitidas ou que provoquem doença na descendência, uma vez que os resultados apontam para a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os riscos genéticos associados à idade paterna.
“Os homens praticamente não recorrem a consultas preventivas, como acontece no caso das mulheres. Existe um aparente distanciamento face a um problema que pode afetar a concretização do projeto parental. É fundamental reforçar a literacia em saúde reprodutiva masculina e atuar na prevenção. Estas não devem estar associadas apenas a momentos específicos ou ao surgimento de sintomas”, acrescenta ainda o especialista do IVI Fertility Lisboa.
Para o especialista em medicina reprodutiva do IVI Fertility Lisboa, “A falta de informação continua a ser um obstáculo. A prevenção, o conhecimento de doenças do aparelho reprodutor com potencial impacto na fertilidade e a valorização de fatores de risco, assim como a compreensão do impacto da idade paterna são fundamentais para promover decisões de parentalidade mais informadas”.
Num contexto em que a investigação continua a revelar novos dados sobre a saúde reprodutiva masculina, aumentar a literacia e promover uma abordagem conjunta da fertilidade são passos essenciais para que os homens e os casais possam tomar decisões mais informadas sobre o seu projeto parental.