4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal
- Número de unidades para idosos sem qualquer vaga aumenta para 70 por cento.
- Pressão sobre a rede agrava preços cobrados: um quarto individual custa em média 1921€/mês.
- A tecnologia está cada vez mais presente, com cerca de 85% das residências a incluírem serviços tecnológicos de saúde, segurança e de comunicação como teleconsultas e videochamadas
As famílias portuguesas enfrentam um novo obstáculo quando o desafio é encontrar uma residência sénior para um familiar. Além de a oferta ser insuficiente para responder à procura, o que provoca um aumento generalizado dos preços praticados, mais de um terço das unidades já reportam a existência de utentes de outras nacionalidades. Segundo o 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal, realizado pela Via Sénior e pela BA&N Research Unit, 33,5 por cento das casas para idosos já acolhem residentes estrangeiros, embora estes representem apenas 4,4% do total de utentes das residências participantes no inquérito.
Este novo fenómeno nas ERPI (Estrutura Residencial para Pessoas Idosas) em Portugal reflete a crescente atratividade do País para cidadãos estrangeiros que escolhem passar a reforma num destino internacional. No Relatório Global de Reforma 2025[1], Portugal surge em primeiro lugar como o país que oferece melhor qualidade aliada a um menor custo de vida.
“Este indicador confirma a perceção de que era cada vez mais frequente encontrar cidadãos de outras nacionalidades nas residências sénior em Portugal. São pessoas com uma capacidade financeira acima da média portuguesa e que olham para o mercado português como um destino de eleição”, afirma Nuno Saraiva da Ponte, CEO da Via Sénior.
Num contexto em que Portugal continua entre os países mais envelhecidos da União Europeia, este fenómeno vem agravar a pressão da procura sobre a rede de residências sénior. O estudo permite concluir que 70% das unidades não têm qualquer vaga disponível, mais 3 pontos percentuais do que os 67% registados na terceira edição do Retrato das Residências Sénior em Portugal, realizado no ano passado. As dificuldades das famílias portuguesas ficam igualmente demonstradas quando analisados os equipamentos com uma taxa de ocupação inferior a 90%. O inquérito relativo a 2025 revela que apenas 8% das residências dizem ter alguma disponibilidade, quando no ano anterior esse valor era de 11%.
A escassez de vagas reflete-se igualmente na existência de listas de espera. Quase 70% das residências indicam ter lista de espera, sendo que em 36% dos casos o tempo de espera ultrapassa os seis meses, enquanto em 29% varia entre dois e seis meses.
Todos estes fatores fazem refletir-se nos preços praticados pelas unidades. No 4º Retrato das Residências Sénior em Portugal, 84,5% dos equipamentos confirmaram aumentos no valor mensal cobrado aos utentes. Em 2025, um quarto duplo apresentava um valor médio ponderado de 1.717€, mais de 200 euros acima dos 1.500€ registados no ano anterior. Se a análise incidir sobre a segunda tipologia mais frequente, o aumento é ainda maior. Um quarto individual atinge um valor médio ponderado de 1.921€, quando em 2024 custava 1.675€, uma diferença de quase 250€.
O inquérito revela também que os residentes permanecem períodos prolongados nas unidades. Cerca de 62,7% dos idosos permanecem entre um e cinco anos nas residências, enquanto 33,6% ficam entre cinco e dez anos, reduzindo a rotatividade das vagas disponíveis.
Em termos de perfil etário, a maioria dos residentes encontra-se em idades muito avançadas. Mais de metade (52,7%) dos utentes têm entre 86 e 90 anos, enquanto cerca de 30% têm entre 81 e 85 anos, refletindo o aumento da esperança média de vida e a crescente necessidade de cuidados especializados.
Paralelamente, as residências sénior continuam a reforçar os serviços disponíveis. Os enfermeiros estão presentes em 99% das residências, enquanto médicos de clínica geral estão disponíveis em 96,4%, fisioterapeutas em 74,5% e nutricionistas em cerca de um quarto das instituições.
O setor tem igualmente vindo a integrar cada vez mais tecnologia no acompanhamento dos residentes. Entre as residências participantes no estudo, 84,5% disponibilizam sistemas de comunicação digital com familiares, como videochamadas, enquanto 64,5% recorrem a plataformas digitais para atividades e estimulação cognitiva, além de sistemas de monitorização remota e telemedicina.
O 4.º Retrato das Residências Sénior em Portugal resulta de um inquérito realizado pela Via Senior e pela BA&N Research Unit junto de residências sénior a operar em Portugal, representativas de cerca de 45% das camas privadas existentes no país.
Sobre a via Senior
A Via Senior foi constituída com o objetivo de dotar as famílias da informação necessária para as suas decisões de vida sénior, adequadas ao seu perfil e necessidades clínicas, e para apoiá-las nesse processo, muitas vezes moroso e difícil. A atividade da Via Senior está concentrada numa plataforma digital onde é possível de forma simples e rápida obter informação sobre a oferta disponível de alojamento para seniores em todo o País. Destaca-se pela clareza na informação apresentada, não só pelo nível de detalhe do alojamento, como por permitir, à partida, saber os preços praticados. Adicionalmente, e como característica diferenciadora, faz o acompanhamento personalizado do processo de seleção, o que inclui a definição do perfil e necessidades, da lista de ofertas compatíveis, e o agendamento das visitas às residências. Trata-se de um serviço premium disponível para a população portuguesa e, recentemente, também a espanhola, que tem a particularidade de não ter qualquer custo para o utilizador.
[1] https://www.globalcitizensolutions.com/report/global-retirement-report/