Nos dias 16 e 17 de maio de 2026, decorreu na Escola Superior de Saúde de Lisboa a 1.ª edição do Model WHO Portugal, uma simulação da Assembleia Mundial da Saúde que reuniu estudantes do Ensino Superior de todo o país. 

O evento foi organizado pela United Nations Association Portugal (UNA Portugal), em coorganização com a Escola Superior de Saúde de Lisboa e a Associação de Estudantes da Escola Superior de Saúde de Lisboa, reforçando o compromisso das instituições envolvidas com a promoção da literacia em saúde global, da diplomacia internacional e da participação ativa dos jovens em processos de decisão multilaterais. 

Para António da Cruz Belo, Presidente do Instituto Politécnico de Lisboa, o evento sublinha um princípio fundamental: “A ciência e a educação devem estar na base das decisões que tomamos enquanto sociedade.” O responsável destacou ainda a importância do associativismo na formação dos jovens, referindo que “funcionamos muito melhor coletivamente do que individualmente”. 

Na mesma linha, Amadeu Borges Ferro, Presidente da ESSL, reforçou o impacto formativo destas iniciativas, sublinhando que “qualquer jovem que participe neste tipo de assembleias desenvolve competências fundamentais para se posicionar como líder”. 

Ao longo de dois dias de trabalho intensivo, os participantes assumiram o papel de delegados de diferentes Estados-Membros da Organização Mundial da Saúde, debatendo desafios globais de saúde pública, negociando propostas e construindo consensos no formato oficial da Assembleia Mundial da Saúde. 

Mário Parra da Silva, Secretário-Geral da UNA Portugal, salientou que “mais do que uma experiência educativa, esta iniciativa é um compromisso sério e um convite à ação, para se tornarem agentes ativos na construção de soluções para os desafios que enfrentamos hoje.”

Joana Pilar, Diretora Geral do Model WHO Portugal, sublinhou que o objetivo vai além da simulação: “Estas iniciativas servem para os jovens adquirirem não só competências de comunicação, mas também confiança pessoal e capacidades de cidadania.” 

A perspetiva chegou também dos próprios delegados. Maíza Kelza Amacin e Luísa Barboza, representantes da delegação de Cabo Verde e vencedoras do Prémio de Excelência, descreveram o exercício como uma “paragem obrigatória para construirmos posições globais que sejam reais e inclusivas”, sublinhando ainda que “ouvir posições opostas enriquece a forma como vemos o mundo”. 

Uma resolução centrada nas Doenças Não Transmissíveis e nos determinantes comerciais da saúde 

A iniciativa resultou na aprovação de uma resolução final, fruto dos debates, negociações e trabalho colaborativo desenvolvido entre os estudantes participantes. 

Sob o mote “Doenças Não Transmissíveis (DNTs): Prevenção e Promoção da Saúde”, o documento destacou a necessidade de respostas mais eficazes, sustentáveis e inclusivas, com particular enfoque nos determinantes comerciais da saúde e na urgência de reforçar os mecanismos de regulação. 

A resolução sublinha a importância de políticas fiscais eficazes e de restrições robustas ao marketing de produtos nocivos à saúde, com especial atenção às plataformas digitais e à proteção de menores, abrangendo o consumo de tabaco, álcool, bebidas açucaradas e alimentos ultraprocessados. 

Entre as principais medidas propostas destacam-se a introdução de sistemas de rotulagem nutricional frontal claros e obrigatórios; o estabelecimento de limites progressivos à redução de sal, açúcar e gorduras trans em produtos alimentares e em cantinas escolares; e o reforço da transparência comercial e da monitorização da influência de interesses privados nos processos regulatórios. 

Saúde mental e equidade global como eixos estruturantes 

O debate integrou ainda a saúde mental como componente essencial da abordagem às DNTs, reconhecendo a sua interdependência com fatores sociais, económicos e ambientais. 

Neste âmbito, a resolução propõe o reforço da integração de cuidados de saúde mental nos cuidados de saúde primários, bem como o desenvolvimento de clínicas móveis integradas para contextos de crise humanitária, assegurando respostas mais próximas de populações vulneráveis, incluindo refugiados e pessoas deslocadas, em articulação com organizações internacionais como o ACNUR e a Unitaid. 

Adicionalmente, o documento incentiva a inovação em respostas globais através da criação de um Mecanismo Internacional de Aquisição Conjunta de Medicamentos Essenciais para DNTs e de um Comité Internacional para a Telemedicina e Saúde Digital, com o objetivo de reduzir assimetrias no acesso e reforçar a equidade em saúde a nível global. 

Um marco na formação de futuros líderes em saúde global 

O debate integrou ainda a saúde mental como componente essencial da abordagem às DNTs, reconhecendo a sua interdependência com fatores sociais, económicos e ambientais. A resolução propõe o reforço da integração de cuidados de saúde mental nos cuidados primários, bem como o desenvolvimento de clínicas móveis integradas para contextos de crise humanitária, em articulação com organizações como o ACNUR e a Unitaid. 

O documento incentiva ainda a criação de um Mecanismo Internacional de Aquisição Conjunta de Medicamentos Essenciais para DNTs e de um Comité Internacional para a Telemedicina e Saúde Digital, com o objetivo de reduzir assimetrias no acesso à saúde a nível global. 

O Model WHO Portugal afirmou-se, nesta edição inaugural, como uma referência de aprendizagem experiencial em diplomacia de saúde global. 

Sobre a United Nations Association Portugal (UNA Portugal) 

A United Nations Association Portugal (UNA Portugal) é uma associação abrangente, inclusiva e paritária, formalmente constituída em junho de 2022, com a missão de promover uma consciência global e uma cidadania ativa, contribuindo para a procura de respostas e soluções para os desafios de um mundo em constante transformação.

Através da promoção do diálogo, da educação, da participação cívica e da cooperação internacional, a UNA Portugal procura aproximar os cidadãos dos princípios e valores das Nações Unidas, incentivando o envolvimento da sociedade na construção de um futuro mais sustentável, justo e inclusivo.

Desde 2022, a UNA Portugal integra a WFUNA – World Federation of United Nations Associations, atuando em alinhamento com as prioridades, programas e objetivos desta rede internacional, que reúne associações das Nações Unidas de diversos países e promove a cooperação multilateral à escala global.