Ordem dos Médicos alerta para insuficiências no arranque do curso de Medicina na UTAD e solicita reunião urgente

A Ordem dos Médicos solicitou à Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) a realização de uma reunião, com a maior brevidade possível, com o objetivo de proceder a uma análise detalhada das condições de arranque do novo curso de Medicina, previsto para o ano letivo de 2026/2027.

O ciclo de estudos foi acreditado com condições pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, tendo sido posteriormente autorizada a abertura de 40 vagas para o próximo concurso nacional de acesso.

Na sequência da análise efetuada, a Ordem dos Médicos identificou um conjunto de insuficiências que suscitam sérias reservas quanto às condições de início do curso para este ano.

“A formação médica exige padrões elevados e condições plenamente asseguradas desde o primeiro dia. Não pode iniciar-se com fragilidades estruturais”, afirma o Bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

Entre os principais constrangimentos identificados destacam-se dúvidas relevantes quanto às condições organizativas, à disponibilidade de recursos humanos qualificados e à consolidação do modelo pedagógico exigido para um curso desta natureza.

A Ordem dos Médicos assinala igualmente a ausência de um envolvimento estruturado e atempado dos médicos da Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro, que terão um papel determinante na docência clínica, na tutoria e no acompanhamento dos estudantes. A integração efetiva destes médicos é um elemento central para garantir a qualidade e a sustentabilidade da formação.

“Sem o envolvimento dos médicos no terreno, sem equipas docentes plenamente consolidadas e sem uma articulação funcional com os serviços de saúde, o risco é iniciar um curso ainda sem bases suficientemente maturadas”, sublinha o Bastonário.

A Ordem dos Médicos destaca ainda que a instabilidade institucional atualmente vivida na UTAD, associada a um processo eleitoral prolongado e sem desfecho previsível, não constitui um contexto adequado ao arranque de um curso com a complexidade e a exigência da formação médica.

“Um curso de Medicina exige estabilidade, liderança clara e confiança institucional. Essas condições são determinantes para garantir um início sólido e credível”, reforça Carlos Cortes.

Neste contexto, a Ordem dos Médicos entende que, no momento presente, ainda não estão reunidas as condições necessárias para o arranque do curso de Medicina.

A reunião solicitada à UTAD visa precisamente permitir uma avaliação rigorosa destas insuficiências e identificar as condições que terão de ser asseguradas para garantir um desenvolvimento sólido, credível e sustentável do curso.

“O que está em causa é a qualidade da formação médica e, em última análise, a qualidade e segurança dos cuidados prestados aos doentes. Não pode haver margem para iniciar um curso desta natureza sem garantias plenas”, conclui o Bastonário da Ordem dos Médicos.