· Sua Majestade o Rei Felipe VI de Espanha inaugurou o novo CaixaResearch Institute numa cerimónia oficial que contou com a presença do Presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa; da Ministra da Saúde, Mónica García; do Delegado do Governo na Catalunha, Carlos Prieto; e do Presidente da Fundação ”la Caixa”, Isidro Fainé.
· Com um investimento de 100 milhões de euros, o novo centro de investigação contará com 20.000 m² dedicados à imunologia e prevê acolher 500 profissionais, dos quais 425 são cientistas. Concebido como um espaço de criação colaborativa com uma abordagem transversal, o instituto ambiciona transferir as suas descobertas do laboratório para os doentes sob a forma de diagnósticos mais precisos e melhores terapias.
· O CaixaResearch Institute centra a sua atividade na investigação e inovação em imunologia. Nos últimos anos, o estudo do sistema imunitário tem aberto novas vias de prevenção, diagnóstico e tratamento para doenças que afetam milhões de pessoas, como o cancro, infeções, perturbações inflamatórias ou doenças neurodegenerativas, entre outras.
· A Fundação ”la Caixa” culmina o seu apoio de mais de um século à investigação em saúde com a criação de um centro próprio em Barcelona, um dos polos biomédicos com maior projeção da Europa. Com o CaixaResearch Institute, a entidade pretende contribuir para encontrar respostas para os grandes desafios biomédicos do presente e do futuro.
· O instituto anunciou a contratação da bioquímica especializada em imunologia e envelhecimento Maria Mittelbrunn, que será uma das líderes de grupo sénior, a par de Gabriel Rabinovich e Josep Dalmau.
Sua Majestade o Rei Felipe VI inaugurou na passada sexta-feira o CaixaResearch Institute, o primeiro centro dedicado integralmente ao estudo da imunologia em Espanha e Portugal e um dos primeiros na Europa. A cerimónia contou com a presença do Presidente da Generalitat da Catalunha, Salvador Illa; da Ministra da Saúde, Mónica García; do Delegado do Governo na Catalunha, Carlos Prieto; e do Presidente da Fundação ”la Caixa”, Isidro Fainé.
O novo instituto, cuja construção representa um investimento de 100 milhões de euros por parte da Fundação ”la Caixa”, ambiciona tornar-se um centro internacional de referência na investigação translacional nesta área, que está a redefinir a forma de compreender e abordar as doenças. A imunologia está no centro do estudo de patologias complexas, como o cancro, as doenças neurológicas e as infeciosas, entre outras.
Em palavras do Presidente da Fundação ”la Caixa”, Isidro Fainé, «Trata-se, sem dúvida, de uma das iniciativas mais importantes que a Fundação ”la Caixa” impulsionou ao longo da sua história. Partilhamos um objetivo muito claro: dispor de todos os recursos possíveis para enfrentar com garantias o desafio de melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas. Para nós, foi prioritário fazê-lo mantendo as nossas marcas de identidade irrenunciáveis, começando por trabalhar a partir da base, com uma orientação de longo prazo, atuando a nível local, mas com uma visão global. E pensando sempre nas pessoas e no seu bem-estar».
O CaixaResearch Institute, que nasce do compromisso de mais de um século da Fundação ”la Caixa” com a investigação em saúde, tem como objetivo impulsionar o conhecimento científico e promover a sua transferência para a sociedade sob a forma de diagnósticos mais precoces e precisos e de tratamentos que melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.
«Este centro procurará desenvolver investigação que melhore de forma prática a qualidade de vida das pessoas. Estamos conscientes de que será um percurso exigente e complexo, que levará tempo até começarmos a obter resultados e que teremos de superar obstáculos ao longo do caminho. Mas contamos com a coragem necessária para ultrapassar essas dificuldades e inspira-nos confiança saber que dispomos dos recursos materiais, do talento e da experiência necessários para superar com êxito este novo grande desafio, que não surgiu nem de forma espontânea nem por simples transferência», afirma o Presidente da entidade.
Para o efeito, a entidade criou um centro com 20.000 m², dotado de infraestruturas de última geração e com capacidade para acolher 500 profissionais, dos quais 425 são cientistas que trabalharão de forma transversal para desvendar os mecanismos do sistema imunitário, a primeira barreira de defesa do organismo, e a sua relação com as doenças mais prevalentes. O instituto conta, em 2026, com um orçamento de 10 milhões de euros destinado à captação de talento e ao equipamento científico, com o objetivo de se consolidar como um centro de referência em imunologia.
O Comité Científico da Fundação ”la Caixa”, presidido por Javier Solana, desempenhou um papel estratégico na definição da visão do CaixaResearch Institute, que representa mais um passo na aposta da entidade na ciência como motor de transformação. Além disso, o instituto dispõe de um Conselho Científico próprio, liderado pelo oncologista Josep Tabernero, que garante o seu alinhamento com os mais elevados padrões internacionais de excelência científica em imunologia.
Para concretizar este projeto, foram também fundamentais as colaborações com diversas instituições e administrações públicas: o Ayuntamiento de Barcelona, que apoiou em matéria urbanística; a Generalitat da Catalunha, com a qual a Fundação ”la Caixa” estabeleceu um acordo para promover sinergias com o ecossistema biomédico catalão; o Governo de Espanha, através das suas agências de promoção da investigação biomédica; e o Banco Europeu de Investimento, que celebrou um empréstimo com a CriteriaCaixa para financiar a construção do edifício.
O CaixaResearch Institute organiza-se em dois edifícios, sendo inaugurado hoje o primeiro, onde já desenvolvem atividade científica quatro líderes de grupo, os doutores Gabriel Rabinovich, Josep Dalmau, Gemma Moncunill e Héctor Huerga-Encabo, aos quais se juntarão as doutoras Maria Mittelbrunn, recentemente integrada no instituto e com entrada prevista para o outono, e María Martínez, que se juntará em julho. O instituto conta já com mais de duas dezenas de profissionais em atividade. Nos próximos anos, quando estiver em pleno funcionamento, terá capacidade para acolher 45 grupos e unidades de investigação, afirmando-se como um polo de atração e retenção de talento internacional.
A investigação: um pilar da ação social da Fundação ”la Caixa”
A criação do CaixaResearch Institute materializa o compromisso histórico da Fundação ”la Caixa” com a investigação biomédica ao serviço da saúde e do bem-estar das pessoas, que remonta à sua fundação há mais de 120 anos.
Inspirada pela visão social do fundador da ”la Caixa”, Francesc Moragas, a entidade assumiu, desde a sua origem, o objetivo de melhorar a saúde através da investigação e do conhecimento. São exemplo disso a criação de equipamentos pioneiros como o Instituto Antituberculoso, que contou com um dos primeiros microscópios eletrónicos de Espanha; a Clínica de Maternidade de Santa Madrona, que impulsionou a assistência materno-infantil; e o Amparo de Santa Lucía, uma residência destinada ao cuidado de meninas e mulheres cegas.
A Fundação ”la Caixa” tem vindo a adaptar o seu apoio à investigação aos desafios de saúde de cada época=. Atualmente, destina 20% do seu orçamento anual (147 milhões de euros em 2026) a esta área. Este compromisso traduz-se em diversas iniciativas, como a criação de programas próprios de financiamento à investigação e inovação em saúde ou de promoção do talento científico, nomeadamente através das bolsas de doutoramento INPhINIT e de pós-doutoramento Junior Leader.
Além disso, há mais de 30 anos que a entidade trabalha para impulsionar o conhecimento das patologias mais prevalentes através do apoio estrutural a centros associados à Fundação ”la Caixa”, referências no estudo das doenças infecciosas (IrsiCaixa), do cancro (Vall d’Hebron Instituto de Oncologia), das doenças neurodegenerativas (Barcelonaβeta Brain Research Center) e na compreensão dos fatores sociais e ambientais da saúde à escala global (Instituto de Saúde Global de Barcelona). Mais recentemente, alargou também o seu apoio às patologias pediátricas minoritárias (Sant Joan de Déu Institut de Recerca) e à biomedicina básica e translacional, através do primeiro centro de investigação em Portugal apoiado pela entidade (Gulbenkian Institute for Molecular Medicine).
Com todos estes centros, a Fundação ”la Caixa” pretende construir o primeiro ecossistema europeu filantrópico de centros de investigação biomédica e biotecnológica, liderado pelo CaixaResearch Institute.
Ciência transversal e colaborativa
A imunologia atravessa todas as disciplinas médicas e exige uma abordagem interligada, assumindo-se como um quadro integrador. Com base neste princípio, o CaixaResearch Institute estrutura-se em três eixos científicos: imunologia e doença, ciências exposómicas e imunologia de sistemas e engenharia, concebidos como áreas transversais que se interligam e colaboram entre si.
A aposta num modelo de trabalho colaborativo vai além da cooperação interna entre grupos de investigação, promovendo iniciativas orientadas para o desenvolvimento de novas terapias que beneficiem tanto o CaixaResearch Institute como o conjunto de centros associados à Fundação ”la Caixa”.
Um exemplo deste trabalho colaborativo é o Innovation Hub, uma iniciativa estratégica que envolve todos os centros deste ecossistema e que proporciona um ambiente de partilha de ideias para maximizar o impacto da investigação na sociedade. Este hub inclui atividades formativas, apoio personalizado por especialistas, como consultores e mentores, e financiamento específico para validar a transferência de inovação para o mercado. Neste contexto, o CaixaResearch Institute contará ainda com um Conselho Consultivo Industrial, composto por representantes da indústria farmacêutica, com o objetivo de reforçar o impacto e a aplicação prática da investigação desenvolvida.
Paralelamente, o ecossistema é reforçado pelo Biomedical Data Hub, uma iniciativa que visa melhorar a gestão, integração e análise de dados biomédicos, através da criação de um quadro comum que organize a informação, garanta a sua utilização segura e permita o trabalho com dados harmonizados e interligados, promovendo uma colaboração mais eficaz entre disciplinas.
Um edifício sustentável ao serviço do talento e das ideias
O novo CaixaResearch Institute está localizado junto ao Parque Natural da Serra de Collserola, em frente ao Museu da Ciência CosmoCaixa, num dos enclaves mais emblemáticos de Barcelona, atualmente um dos polos biomédicos mais dinâmicos da Europa.
A proximidade entre estes dois equipamentos, agora ligados pelos novos Jardins Francesc Moragas, em homenagem ao fundador da ”la Caixa”, dá origem a um campus científico de excelência que pretende aproximar investigadores e cidadãos. O museu, referência na divulgação científica para públicos de todas as idades, com cerca de 1,2 milhões de visitantes anuais, passará a integrar conteúdos sobre imunologia e saúde, enquanto os investigadores dispõem de um espaço privilegiado para comunicar os seus avanços à sociedade.
Projetado pelo estúdio TAC Arquitectes, liderado por Eduard Gascón, o instituto foi concebido com base em critérios de máxima funcionalidade científica, integração com o meio envolvente e uma forte aposta na sustentabilidade, reconhecida com a certificação LEED Platinum. Neste projeto, a arquitetura assume-se como uma ferramenta ao serviço da ciência.
O instituto organiza-se em áreas partilhadas e plataformas científicas para otimizar recursos, garantir capacidade experimental e fomentar a colaboração. As áreas partilhadas localizam-se junto aos laboratórios, enquanto as plataformas científicas se concentram no piso inferior, onde se integram infraestruturas especializadas, equipamentos de alta tecnologia e capacidade computacional avançada.
Um dos principais desafios arquitetónicos do projeto foi a sua localização entre a serra de Collserola, zona de elevado valor ambiental, e a Ronda de Dalt, uma das principais vias de Barcelona. A solução adotada inspira-se na arquitetura hospitalar e higienista do início do século XX, com pavilhões independentes e abertos ao exterior. O projeto opta por uma sequência de edifícios de baixa altura, interligados por pátios e jardins, organizados em socalcos que se adaptam à inclinação natural do terreno, permitindo uma integração harmoniosa na paisagem. Em abril de 2026 foi inaugurado o primeiro dos dois edifícios, estando prevista a ocupação progressiva do segundo ao longo de 2027.
Além disso, o projeto incorpora critérios rigorosos de sustentabilidade e proteção ambiental, incluindo o uso de energias renováveis, como painéis fotovoltaicos e sondas geotérmicas, e sistemas de recolha e reutilização de águas pluviais, permitindo reduzir o consumo de energia em 38% e o consumo de água em 40%.