| Cimeira europeia “Tackling Infertility” | Lisboa |
| · Europa chamada a tratar a fertilidade como prioridade pública, social e económica, com medidas coordenadas entre países: educação reprodutiva nas escolas, licença parental universal, apoio às famílias e acesso a tratamentos de fertilidade entre as prioridades definidas em Lisboa. |
| · Inquérito em 14 países revela que a maioria das pessoas quer ter filhos, mas enfrenta barreiras económicas, laborais e de acesso à saúde. |
| · Portugal prepara Programa Nacional para a Saúde Sexual e Reprodutiva e renova, 50 anos depois, o modelo de planeamento familiar com uma nova consulta integrada de saúde sexual e reprodutiva. |
| · União Europeia chamada a reforçar investigação, prevenção e equidade no acesso a tratamentos de fertilidade. |
| · Especialistas alertam para impacto do adiamento da parentalidade e para necessidade de falar mais cedo sobre fertilidade. |
| Representantes de 11 países europeus aprovaram em Lisboa um conjunto de medidas prioritárias para responder à queda da natalidade e reforçar necessidade de condições favoráveis à parentalidade, no âmbito da cimeira europeia Tackling Infertility, promovida pela Merck, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos e da Associação Portuguesa de Fertilidade. Especialistas e decisores defenderam que a Europa precisa de deixar de olhar para a fertilidade como um tema marginal e passar a encará-la como uma prioridade pública, social e económica, perante uma das mais profundas transformações demográficas da sua história. |
| A cimeira ficou ainda marcada por uma sessão conjunta de trabalho que reuniu representantes de países europeus, com o objetivo de identificar medidas prioritárias para responder à quebra da fertilidade e criar condições mais favoráveis à parentalidade. Após um processo colaborativo e votação estruturada, os participantes definiram prioridades comuns em três eixos estratégicos: literacia, trabalho e acesso. |
| Na área da literacia, as principais recomendações passam por reforçar a educação sobre fertilidade e saúde reprodutiva nas escolas e plataformas digitais, garantir programas gratuitos de rastreio da fertilidade e aumentar a vontade política para colocar a fertilidade e as políticas familiares no centro da agenda pública. |
| No eixo laboral e do acesso, os países defenderam medidas estruturais nas empresas para compatibilizar carreira e parentalidade, licenças licença parental universal e totalmente remuneradas para ambos os progenitores, cobertura dos tratamentos de fertilidade pelos seguros de saúde em condições idênticas a outras patologias e criação de incentivos financeiros que reconheçam o impacto económico das decisões familiares. As conclusões refletem um consenso europeu crescente de que a resposta à crise demográfica exige políticas integradas e de longo prazo. |
| Painel europeu | Especialistas pedem coordenação e resposta estrutural |
| No debate principal do encontro, Luca Gianaroli, diretor global de programas de educação da Federação Internacional de Sociedades de Fertilidade, Mónica Ferro, diretora do Fundo das Nações Unidas para a População, e Marta Temido, deputada ao Parlamento Europeu e ex-ministra da Saúde, defenderam que o desafio exige respostas estruturais e maior coordenação europeia. |
| Luca Gianaroli descreveu a Europa como “um mosaico”, com países em fases muito distintas de resposta, mas confrontados com problemas comuns. O especialista defendeu uma estratégia baseada em prevenção, preservação da fertilidade e modernização dos modelos de parentalidade, sublinhando que “sem investigação, não há evolução” e que os tratamentos de fertilidade devem ser encarados com a mesma prioridade de outras áreas da saúde. |
| Mónica Ferro apresentou conclusões de um inquérito realizado em 14 países, que confirma que a maioria das pessoas quer ter filhos, mas enfrenta obstáculos significativos. Quase metade dos inquiridos apontou razões económicas, como custo de vida, habitação e despesas com crianças, enquanto cerca de um quarto referiu barreiras ligadas à saúde, incluindo falta de acesso a cuidados e desconhecimento sobre fertilidade. A responsável sublinhou que “a pergunta certa não é quantos filhos a sociedade precisa, mas quantos filhos as pessoas querem ter e o que as impede de o concretizar”. |
| Já Marta Temido reconheceu que a resposta europeia continua fragmentada, uma vez que a saúde permanece sobretudo na esfera dos Estados-membros. Ainda assim, defendeu que a União Europeia pode mobilizar financiamento, investigação e instrumentos políticos para acelerar respostas comuns, salientando que a fertilidade “deve ser entendida como parte do acesso universal e equitativo aos cuidados de saúde”. |
| Painel nacional | Portugal chamado a agir no acesso, literacia e conciliação |
| No painel dedicado à realidade portuguesa, Luís Ferreira Vicente, presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução, Rita Sá Machado, diretora-geral da Saúde, e Luís Goes Pinheiro, presidente do Conselho de Administração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, defenderam que Portugal precisa de atuar em simultâneo na prevenção, no acesso a cuidados e nas condições dadas às famílias. |
| Rita Sá Machado destacou o papel da literacia em saúde e da educação sexual e reprodutiva ao longo da vida, defendendo que “as pessoas precisam de informação credível para decidir em liberdade”. A responsável revelou ainda que Portugal prepara um Programa Nacional para a Saúde Sexual e Reprodutiva e assinalou uma mudança estrutural no sistema assistencial: a tradicional consulta de planeamento familiar evolui para consulta de saúde sexual e reprodutiva, cinquenta anos depois da implementação desta resposta no país. A responsável sublinhou também a importância dos cuidados de saúde primários na deteção precoce de riscos e no encaminhamento atempado. |
| Luís Ferreira Vicente alertou para o impacto do adiamento da parentalidade e para a falta de conhecimento generalizado sobre fertilidade feminina e masculina. O especialista defendeu que “temos de falar mais cedo sobre fertilidade e não apenas quando surgem dificuldades”, sublinhando ainda a necessidade de dar maior visibilidade à infertilidade masculina, ainda pouco presente no debate público. |
| Já Luís Goes Pinheiro destacou o contributo da transformação digital e da integração de dados para melhorar respostas clínicas e reduzir atrasos no sistema, sublinhando que a interoperabilidade entre sistemas de informação é fundamental para garantir continuidade assistencial, acelerar referenciações e disponibilizar aos profissionais uma visão mais completa do percurso do utente. O responsável defendeu que “melhor informação permite melhores decisões e respostas mais rápidas”, através de sistemas mais interoperáveis e centrados no cidadão. |
| Ao longo da cimeira, ficou ainda a mensagem de que a crise da fertilidade não se resolve com incentivos isolados ou medidas pontuais. Exige políticas consistentes, cuidados acessíveis, informação credível e condições reais para que todas as pessoas possam concretizar projetos familiares sem penalização profissional, económica ou social. |
| Sobre o European Manifesto “Tackling Infertility” |
| Manifesto apresentado na sequência da primeira edição do “Tackling Infertility”, que decorreu em 2024 em França, reúne um conjunto de recomendações dirigidas aos países europeus para responder à crise da fertilidade, estruturadas em três eixos prioritários: promoção da literacia e do conhecimento em fertilidade, reforço das políticas de conciliação entre vida profissional e familiar e melhoria do acesso a cuidados de saúde reprodutiva. Este documento resulta de um trabalho colaborativo entre especialistas, associações de doentes e decisores políticos, e pretende contribuir para a definição de políticas públicas mais eficazes e sustentadas a nível europeu. |
| Sobre o Movimento +Fertilidade: |
| O Movimento +Fertilidade é uma iniciativa da Associação Portuguesa de Fertilidade (APFertilidade), da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução (SPMR) e da Direção da Subespecialidade de Medicina da Reprodução da Ordem dos Médicos, que surge como resposta ao problema da baixa taxa de fertilidade em Portugal e à urgência de garantir a sustentabilidade demográfica e social do país. Pretende unir entidades públicas, empresas e a sociedade civil em torno de um objetivo comum: criar melhores condições para a parentalidade e promover a fertilidade como causa nacional. O ponto de partida é o Manifesto +Fertilidade, que apresenta princípios, compromissos e medidas concretas de apoio à parentalidade. Saiba mais em www.movimentomaisfertilidade.pt |