De 26 a 28 de junho de 2026, a Faculdade de Medicina da Universidade Católica (Católica Medical School) acolhe o CMS Model WHO 2026, uma simulação de alto nível da Organização Mundial da Saúde, organizada em parceria com a United Nations Association of Portugal e com o apoio do World Health Organization Regional Office for Europe. O evento reunirá estudantes universitários internacionais para participarem em iniciativas de diplomacia global na área da saúde, de acordo com os procedimentos da OMS. As inscrições estão abertas até dia 27 de maio.
Portugal está entre os países com níveis mais elevados de consumo de álcool na Europa, ocupando o quarto lugar na Região Europeia da OMS, segundo dados mais recentes, com um consumo per capita de 13,7 litros em 2024.Ao mesmo tempo, o debate público em torno do álcool está a intensificar-se. Podcasts amplamente partilhados, cobertura mediática e vozes especializadas, como Margarida Santos (médica de família), têm trazido uma atenção renovada a questões como a acessibilidade económica, a exposição ao marketing e o acesso ao tratamento. Neste contexto, uma nova iniciativa em Lisboa coloca os jovens no centro da resposta.

Uma das características distintivas do CMS Model WHO é dar aos jovens um lugar real à mesa nas discussões globais sobre saúde. Esta simulação desafia os participantes não só a compreender a evidência que fundamenta as políticas de álcool, mas também a negociar ativamente soluções que contribuam para sociedades mais saudáveis,” afirma Sofia Bernardes, aluna do quinto ano da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa e presidente do CMS Model WHO.

Um dos principais comités será dedicado à política de álcool na Europa, em colaboração com a iniciativa EVID-ACTION da OMS/Europa (Evidence into Action on Alcohol, cofinanciada pela União Europeia). Este projeto apoia 30 países, incluindo Portugal, na redução dos danos associados ao consumo de álcool, através da produção de evidência, do desenvolvimento de políticas e da sensibilização para a ação política.

Os participantes serão convidados a simular negociações centradas em temas prioritários como o reforço das políticas de prevenção, a melhoria do acesso a serviços de tratamento e recuperação, a resposta ao impacto do marketing do álcool e da sua acessibilidade económica, bem como a construção de sistemas de saúde mais resilientes.

Em toda a Europa, estamos a assistir a uma crescente consciencialização sobre os danos causados pelo álcool, incluindo em Portugal. O que é particularmente encorajador é o envolvimento dos jovens, que não só fazem parte desta conversa, mas também estão ativamente a contribuir para soluções. Iniciativas como esta mostram como a evidência pode ser transformada em diálogo – e o diálogo em ação,” afirma Carina Ferreira-Borges, assessora regional para o álcool da OMS/Europa.