Iniciativa da campanha ‘Mais Ar Para Viver’ une arte, saúde e ambiente para alertar para a 5.ª principal causa de morte em Portugal.

A Avenida da Liberdade, em Lisboa, é o palco de um novo mural de arte urbana que visa alertar a população para a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC), uma condição respiratória que afeta mais de 800 mil portugueses e que é a quinta principal causa de morte em Portugal1.

A obra, da autoria da artista Mariana Malhão2 (Underdogs Gallery), foi inaugurada na Estação de Monitorização da Qualidade do Ar, transformando uma infraestrutura técnica num ponto de consciencialização pública. A iniciativa, integrada na campanha “Mais Ar Para Viver” promovida pela Sanofi, em parceria com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR LVT, IP) e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, sublinha a ligação direta entre a qualidade do ar, a poluição e a saúde respiratória.

A artista Mariana Malhão explicou a sua visão para a obra, que retrata balões que se assemelham a brônquios, umas vezes cheios de ar e vida, outras vezes esvaziados. “A minha inspiração foi criar um

contraste entre um espaço limpo, verde, e um ar poluído, que é o que causa a doença. O ambiente em que estamos dita a nossa saúde. Espero que esta obra funcione como um ponto de contacto e reflexão para quem passa.”

Em representação da Câmara Municipal de Lisboa, que apoiou esta iniciativa, o Vereador do Ambiente, Vasco Anjos, destacou o compromisso da cidade com a melhoria da qualidade do ar e a proteção da saúde pública. “É com este sentido de responsabilidade que Lisboa se afirma perante todos os que aqui vivem, trabalham e nos visitam. A cidade está empenhada em tomar decisões assentes em dados e evidência científica, com o objetivo de garantir melhor qualidade do ar e, assim, contribuir para a qualidade de vida de todos. Esta iniciativa é um passo relevante para aumentar a consciencialização coletiva e promover comportamentos mais responsáveis”, afirmou.

A escolha da localização do mural, junto a uma estação de monitorização, foi destacada por Gonçalo Conte da Costa, Vice-Presidente da CCDR LVT, que vê na obra a junção perfeita entre arte e ciência. “Este mural dá visibilidade a uma missão central da CCDR LVT: acompanhar e promover a qualidade do ar que todos respiramos. Ao transformar uma infraestrutura técnica num ponto de sensibilização pública, aproximamos os cidadãos da ciência e dos dados, e demonstramos que a qualidade do ar não é apenas um indicador ambiental — é uma condição essencial de saúde e qualidade de vida de todos.”

A voz dos doentes foi representada por José Albino, Presidente da RESPIRA (Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas), que partilhou a sua experiência e a urgência do diagnóstico precoce. “A DPOC não pode continuar invisível. É uma doença que rouba o fôlego em silêncio e que, por ser tão subdiagnosticada, só é reconhecida quando já compromete gravemente a qualidade de vida. Fui diagnosticado há 25 anos e o diagnóstico atempado fez toda a diferença. Tornar a doença visível é uma verdadeira urgência de saúde pública.”

Sublinhando a importância da iniciativa do ponto de vista da saúde pública, Cristina Bárbara, Diretora do Programa Nacional para as Doenças Respiratórias da Direção-Geral de Saúde, deixou um alerta na sua intervenção “A respiração é o que nos confere autonomia para viver. Se perdemos essa capacidade, a nossa vida fica comprometida. A exposição ao ar que respiramos é involuntária e, por isso, zelar pela sua qualidade é uma responsabilidade de todos. No Programa Nacional, o nosso objetivo é prevenir doenças como a DPOC, que infelizmente a maioria dos portugueses ainda não conhece.”

Duarte Mesquita, Diretor Médico da Sanofi Portugal, entidade promotora da iniciativa, sublinhou, por sua vez, o propósito da iniciativa: “Este mural não é apenas uma obra artística; é um manifesto no espaço público, um alerta silencioso, mas impossível de ignorar, para uma realidade que continua demasiadas vezes invisível. Na Sanofi, vivemos o compromisso de aproximar a inovação dos doentes e contribuir para sistemas de saúde mais resilientes. Usar a arte como linguagem é uma forma de chegar onde a ciência, por vezes, não chega, e tornar a saúde pública mais próxima das pessoas.”

O evento contou ainda com o apoio institucional dos parceiros da iniciativa Mais Ar Para Viver, nomeadamente da Fundação Portuguesa do Pulmão (FPP), da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e do seu

Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias (GRESP), bem como da Respira, Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas, que reforçaram a importância da colaboração para um diagnóstico mais rápido e um melhor acompanhamento dos doentes.

“Estamos na primeira linha, nos centros de saúde, prontos para ouvir, diagnosticar e acompanhar, mas precisamos que as pessoas não normalizem a falta de ar, que não ignorem a tosse e que se deixem ajudar. Respirar bem não é um luxo, mas sim um direito.”, afirmou o Dr. Ricardo Brás, do GRESP, da APMGF. A par da inauguração e tendo como foco a importância de um diagnóstico precoce, a Fundação Portuguesa do Pulmão disponibilizou a realização de espirometrias à população. “É nossa missão levar a saúde pulmonar para junto das pessoas. É preciso rastrear e tomar medidas”, reforçou Maria da Conceição Gomes, da FPP.

Sinopse do Mural

A qualidade do ar que respiramos influencia diretamente a nossa saúde, e a forma como cuidamos da natureza ao nosso redor reflete-se no nosso bem-estar. Melhorar o ar que respiramos é melhorar a qualidade de vida. Nesta narrativa circular, o mural artístico de Mariana Malhão revela-se uma paisagem onde os balões se assemelham a brônquios — por vezes frescos e cheios de ar, integrados na natureza, outras vezes caídos e esvaziados, sem oxigénio nem vida. Estabelece-se um equilíbrio entre as causas da doença e a esperança num futuro mais saudável e informado. As crianças de hoje projetam-se como os idosos saudáveis do futuro, enquanto os elementos naturais reforçam esta ideia de regeneração, cuidado e continuidade.

Saiba mais aqui sobre a DPOC

1 Fundação Portuguesa do Pulmão, ONDR2024_V01;

2 Saiba mais sobre a artista em : Underdogs