25 a 27 de setembro de 2026

•  A participação no rastreio colorretal ficou em 14% da população elegível em 2022, com fortes disparidades regionais, segundo a OCDE e a Comissão Europeia.

•  A associação propõe uma Linha Verde nacional para situações oncológicas agudas ou urgentes, com triagem rápida, orientação clínica e encaminhamento hospitalar prioritário.

•  O Peditório Nacional decorre de 25 a 27 de setembro, mobiliza os 18 distritos e financia apoio direto, literacia em saúde, prevenção e diagnóstico precoce.

Portugal regista todos os anos cerca de 19 mil novos casos de cancros digestivos e quase 12 mil mortes. São mais de 30 vidas perdidas por dia por tumores do cólon e reto, estômago, pâncreas, fígado, esófago e vias biliares, de acordo com as estimativas GLOBOCAN 2022. Perante esta realidade, a Europacolon Portugal lança o Peditório Nacional 2026 e apela a que a prevenção, o diagnóstico precoce e o acesso atempado à inovação sejam assumidos como prioridades políticas mensuráveis.

“Não podemos normalizar a perda de mais de 30 pessoas por dia devido a cancros digestivos. A prevenção, o rastreio e o diagnóstico precoce têm de chegar mais cedo e mais perto das pessoas. O Peditório Nacional é uma forma de mobilizar a sociedade para esta causa e de garantir que continuamos a apoiar quem enfrenta estas doenças”, explica Vítor Neves, Presidente da Europacolon Portugal.

A Linha Verde proposta pela Europacolon Portugal pretende criar uma porta de entrada diferenciada para doentes oncológicos em situações agudas ou urgentes. A medida deverá funcionar em articulação com os hospitais, permitindo avaliar rapidamente cada situação, prestar orientação clínica e encaminhar o doente para um hospital central ou centro de referência quando exista justificação clínica. A associação defende que esta resposta deve integrar o Pacto como complemento às políticas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento.

O custo de chegar tarde

O cancro colorretal é o tumor mais diagnosticado em Portugal, com 10 575 novos casos e 4 809 mortes estimadas em 2022. Apesar do impacto da doença e da existência de um teste simples e não invasivo, a participação no rastreio colorretal atingiu apenas 14% da população elegível em 2022, segundo o Perfil sobre o Cancro em Portugal 2025, publicado pela OCDE e pela Comissão Europeia. O mesmo relatório identifica fortes diferenças regionais na cobertura do rastreio.

A demora prolonga-se depois do diagnóstico. O indicador Patients W.A.I.T. 2024, publicado pela EFPIA, estima que os novos medicamentos demoraram, em média, 840 dias entre a autorização europeia e a disponibilidade aos doentes em Portugal, o prazo mais longo entre os países analisados. 

Para a Europacolon Portugal, estes dados mostram que a resposta ao cancro exige continuidade entre prevenção, diagnóstico e tratamento: cada atraso numa destas etapas reduz a possibilidade de intervir a tempo.