Barreiras linguísticas e culturais e outros desafios de um mundo cada vez mais global motivam debate nas IV Jornadas de Ética da CESPU – num dos seus institutos, 22% dos alunos são internacionais

As barreiras linguísticas são apontadas por dois terços dos imigrantes como um constrangimento no acesso aos serviços de saúde. E um terço dos prestadores identificam as barreiras culturais como um desafio importante[1]. A aprendizagem sobre multiculturalidade deve começar, por isso, logo na formação superior.

Este é o ponto de partida das IV Jornadas de Ética, organizadas pela CESPU, e que acontecem a 26 de fevereiro, a partir das 14h30, no Auditório do Edifício 2 do Campus Universitário de Gandra, em Paredes.

Através da experiência de docentes, profissionais de saúde, estudantes e de utentes internacionais, pretende-se criar um espaço de debate e contextualização da realidade e do qual poderão surgir as bases para a criação de um plano estratégico de ética e multiculturalidade da CESPU.

A responsabilidade institucional é decisiva. A ética não pode depender apenas da sensibilidade individual do profissional. As instituições devem integrar a ética intercultural nos currículos de forma estruturada, criar protocolos de mediação linguística e cultural, disponibilizar formação contínua para docentes e clínicos, garantir políticas claras contra discriminação”, refere António Jácomo, presidente da Comissão de Ética para a Saúde da CESPU.

Esta reflexão sobre os desafios éticos da multiculturalidade é essencial numa instituição que forma os futuros profissionais de saúde nas suas mais diversas áreas de especialidade e que beneficia de um ambiente intercultural – por exemplo, no Instituto Universitário de Ciências da Saúde, que acolhe estas jornadas, cerca de 22% dos estudantes são internacionais. E são múltiplos os aspetos onde a ética multicultural deve estar presente. Além da mediação na prática clínica, na investigação académica, por exemplo, deve assegurar-se uma adequação cultural dos instrumentos de recolha de dados e clareza e compreensão do consentimento informado, incluindo uma adequada tradução, nota António Jácomo.

Com conferência de abertura do presidente do Conselho de Administração da CESPU, António Almeida Dias, segue-se um painel dedicado à educação com Sofia Lopes, vice-presidente da Comissão de Ética do ISPN-CESPU, Joaquim Moreira, vice-reitor do IUCS-CESPU e estudantes internacionais nestas duas instituições. O segundo momento de debate pretende juntar um utente de saúde a residis em Portugal numa conversa com Rui Guimarães, vice-presidente da Comissão de Ética da CESPU, Paulo Alexandre Reis, membro da comissão de ética para a saúde da CESPU e um utente. As conclusões do evento serão realizadas por Ana Mafalda Reis, membro da comissão de ética para a saúde da CESPU.

Mais informações no site da CESPU, onde é possível também fazer a inscrição obrigatória para as jornadas. A participação é gratuita.


[1] Dados Entidade Reguladora da Saúde, “Acesso de imigrantes a cuidados de saúde primários”, março de 2025 https://ers.pt/media/i2rdaw14/ers_-acesso-de-imigrantes-a-cuidados-de-saúde-primários.pdf