●       Sustentabilidade da diálise em Portugal vai estar na agenda do debate nacional

Teremos nefrologistas suficientes para responder à urgência silenciosa da saúde renal? A questão torna-se um dos temas de debate no encontro “Sustentabilidade Estratégica da Diálise: Agenda para 2040”, um evento organizado pela Associação Nacional de Centros de Diálise (ANADIAL), que se vai realizar no dia 26 de maio, a partir das 9h30, na AHED – Advanced Health Education, situada no Campus de Carcavelos na NOVA Medical School. Para Rui Filipe, médico nefrologista, membro do conselho científico da ANADIAL e Diretor Médico Nacional da Diaverum Portugal, o problema pode não residir na escassez de médicos, mas na forma como estão distribuídos. “Muitas vezes, os médicos não estão nos sítios certos nem da maneira certa”, uma situação agravada pela crónica ausência de dados fiáveis.

De acordo com o especialista, a falta de estatísticas oficiais sobre o tema é uma realidade em Portugal. “Não sabemos se a distribuição de nefrologistas pelo País está a ser bem feita ou não, e qual é o número exato de nefrologistas que precisa. Há, no entanto, uma certeza: não existe uma cobertura uniforme do país. Ou seja, há uma assimetria na assistência nefrológica, fruto do desequilíbrio na alocação de recursos médicos, que compromete a resposta em algumas zonas.”

E, acrescenta, sabe-se também que “as clínicas de diálise do setor privado estão capacitadas para oferecer muito mais serviços do que aqueles que prestam, o que poderia rentabilizar melhor os nefrologistas que Portugal já tem. Existe o risco de certas zonas ficarem sem a devida assistência nefrológica, mas mais do que o número de especialistas, importa perceber como é feita essa distribuição pelo país e qual é a política de coesão nacional neste domínio”.

O encontro, que pretende refletir sobre o futuro em termos de sustentabilidade dos tratamentos de diálise, vai contar ainda com uma mesa-redonda cobre como “Atrair, reter, diferenciar: o futuro da enfermagem em diálise”, um debate sobre a “Saúde e Ambiente: do imperativo da sustentabilidade ao contributo da diálise”, assim como partilhar como é “Viver com Doença Renal Crónica: expectativas e a realidade”, a “Tecnologia para cuidar melhor e com mais eficiência” e uma segunda mesa-redonda sobre “Modelos de diálise e políticas de saúde: o caminho para 2040”.