Associação defende que a obesidade não se trata, primariamente nos hospitais
A Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) considera insuficientes as medidas previstas no Despacho n.º 13066/2025 e na Portaria n.º 464/2026/1, que define o regime especial de disponibilização pública para os medicamentos sujeitos a receita médica destinados ao tratamento da obesidade. A associação lembra que a obesidade é uma doença crónica e um problema de saúde pública, que exige prevenção e cuidados acessíveis em diferentes níveis do sistema de saúde.
A APDP reconhece o impacto económico da obesidade, mas alerta que a resposta não deve limitar-se a uma visão de curto prazo. Tratar a obesidade significa também tratar mais de 200 doenças associadas e prevenir complicações futuras.
“Limitar a obesidade aos hospitais é gerar o caos, aumentando a burocracia nos cuidados de saúde primários e exigindo a referenciação para uma consulta hospitalar. Comparticipar apenas 15% é muito insuficiente. Sem o envolvimento das autarquias, da indústria alimentar e da indústria farmacêutica, estas medidas são poucochinho”, afirma José Manuel Boavida, presidente da APDP, acrescentando: “Os preços dos fármacos podem baixar. Um acesso mais amplo permite negociar melhores valores e assegurar uma comparticipação acessível em todos os níveis de cuidados de saúde.”
A obesidade é a mãe da diabetes tipo 2. Segundo a APDP, prevenir a obesidade pode contribuir para reduzir em 80% os novos casos de diabetes tipo 2 e permitir que milhares de pessoas com diabetes entrem em remissão.
“Estamos a falar de menos pessoas com insuficiência renal, amputações, cegueira e baixa visão; de menos enfartes, acidentes vasculares cerebrais e internamentos; e de uma menor necessidade de cuidados de saúde”, sublinha José Manuel Boavida.
Carolina Neves, médica da APDP, alerta ainda que “restringir a comparticipação a quem consegue consulta hospitalar mantém desigualdades e limita a equidade no acesso. Além disso, limitar a comparticipação a 12 meses não é adequado para qualquer doença crónica, como é o caso da obesidade”.
A APDP apela a que se façam as contas, se avaliem os custos e os benefícios destas medidas a longo prazo e manifesta disponibilidade para colaborar ativamente, com toda a sua experiência, numa reforma de que defende que o país precisa urgentemente.