A apresentação pública do TRUST – Centro do Rim reuniu em Serralves cerca de 40 participantes, entre decisores, especialistas, profissionais de saúde, prestadores e associações de doentes, e foi acompanhada em direto online.
Detetar mais cedo, acompanhar em equipa e trabalhar em rede com o SNS. Foram estas as ideias que marcaram a apresentação pública do TRUST – Centro do Rim, esta manhã, na Biblioteca da Fundação de Serralves, numa sessão que juntou na mesma sala a Estratégia Nacional para a Doença Renal Crónica, a Direção Executiva do SNS, a Assembleia Municipal do Porto e especialistas internacionais, médicos, enfermeiros, prestadores de diálise e representantes dos doentes.
A doença renal crónica afeta pelo menos um em cada dez portugueses e, nas fases iniciais, não dá sintomas. Portugal tem também uma das incidências de entrada em tratamento substitutivo da função renal mais elevadas da Europa.
A Estratégia Nacional e o papel dos cuidados primários

Na sessão, a Prof.ª Doutora Anabela Rodrigues, Presidente da Comissão de Implementação da Estratégia Nacional para a Doença Renal Crónica, apresentou as linhas da Estratégia e do percurso de cuidados integrados definido pela Direção-Geral da Saúde, com ênfase na deteção precoce nos
cuidados de saúde primários, na articulação entre níveis de cuidados e na alocação de recursos para a prevenção da doença «A Estratégia Nacional prevê a construção de um modelo em que se financie a preservação da função renal e a qualidade de vida das pessoas» salientou.
A Dr.ª Marta Massada, Presidente da Assembleia Municipal do Porto, sublinhou que uma cidade se mede muito por como cuida das suas pessoas «E, no caso da Doença Renal, cuidar significa ajudar as pessoas a ganharem tempo».
Prevenir antes de tratar
Na conferência central, o Prof. Alberto Ortiz, nefrologista da Fundación Jiménez Díaz e da Universidad Autónoma de Madrid e autor principal das conclusões internacionais KDIGO sobre a prevenção da doença renal crónica, defendeu que tratar a falência renal já não chega. Mostrou como
a doença progride em silêncio durante anos e como as terapêuticas hoje disponíveis, iniciadas cedo, podem adiar em vários anos a necessidade de diálise.
«As técnicas substitutivas da função renal foram uma vitória no Século XX. No Século XXI, são uma derrota. A vitória virá da intervenção precoce, antes da doença se instalar» Numa mensagem em vídeo, o Prof. David Wheeler, da University College London e copresidente do KDIGO entre 2012 e 2019, sublinhou a importância de medir a albuminúria e de levar as novas terapêuticas aos doentes que delas beneficiam.

A voz dos doentes
A perspetiva dos doentes foi trazida por Paulo Urbano, Presidente da APIR – Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, e por Daniel Gallego, Presidente da European Kidney Patients’ Federation, que defenderam que quaisquer soluções que surjam deverão, desde logo, escutar aquilo que importa às pessoas com doença renal.

Um centro para as fases iniciais
A Dr.ª Beatriz Gil Braga, Diretora Clínica, apresentou o modelo do TRUST – Centro do Rim: o acompanhamento das fases iniciais da doença renal crónica por uma equipa multidisciplinar coordenada pela Nefrologia, como resposta complementar aos cuidados de saúde primários e aos hospitais, com o compromisso de monitorizar os resultados à luz das metas da Estratégia Nacional.
«Esta manhã não foi sobre nós. Foi sobre juntar todos os que cuidam da pessoa com doença renal e perguntar, em conjunto, como podemos chegar mais cedo. Não temos todas as respostas, mas temos a vontade de as procurar com quem está no terreno», afirmou André Freitas, CEO do TRUST – Centro do Rim.
A sessão foi encerrada por Marta Araújo, Administradora da TRUST.
Gravação disponível
A gravação integral da sessão está disponível em Apresentação Pública – Trust Centro do Rim