“Vamos Falar Sobre Integração de Pessoas Migrantes” é o novo recurso da OPP e chega acompanhado de uma checklist para reflexão

No Dia Internacional dos Migrantes, que se assinala esta quinta-feira, a Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) lança o documento “Vamos Falar Sobre Integração de Pessoas Migrantes”, que reúne evidência científica e recomendações práticas.

O documento responde a questões como o que é a migração, o que pode levar alguém a migrar e porque é que a imigração é um tema polarizador e explica como podem ajudar pessoas migrantes a integrarem-se, em diferentes contextos.

Na comunidade local…

  • Estar conscientes dos nossos preconceitos. Podemos ter “ideias feitas” sobre pessoas de outras culturas sem as conhecermos. Por vezes, podemos tomar o todo pela parte: se vimos uma notícia em que uma pessoa da cultura “X” fez “Y”, podemos achar que todas as pessoas da cultura “X” farão “Y”.
  • Cumprimentar para acolher. Dizer “bom dia”, cumprimentar com um gesto ou um sorriso. Pequenos gestos podem fazer uma grande diferença para quem chega a um país novo.
  • Comunicar através de uma língua comum ou de APPs de tradução.
  • Apoiar a aprendizagem da língua portuguesa.
  • Expressar curiosidade. Por exemplo, questionar sobre a cultura, costumes e tradições ajuda a criar ligação e compreensão.
  • Aprender mais sobre o que nos é desconhecido. Podemos procurar informação sobre comunidades com culturas e religiões diferentes da nossa, compreendendo melhor os motivos que as levam a migrar.
  • Esclarecer como utilizar serviços essenciais. Ex: comofunciona o sistema de transportes públicos, onde comprar um passe, quando ligar para o 112 (INEM) ou para o 808 24 24 24 (SNS24), ou como marcar uma consulta no Centro de Saúde ou numa clínica privada.
  • Criar oportunidades de convívio.
  • Esclarecer as normas sociais. Muitas regras de convivência não estão escritas. Podemos explicar, de forma simples e respeitosa, costumes como cumprimentar com um aperto de mão, dizer “por favor” e “obrigado”, respeitar filas, manter os espaços limpos, reciclar ou chegar a horas a compromissos.

No local de trabalho…

Quando somos líderes/ gestores de equipas:

  • Acolher de forma estruturada. Explicar o funcionamento da empresa: horários, pausas, regras de segurança, espaços de trabalho e espaços partilhados, contactos úteis e principais rotinas. Podemos também indicar alguém (chefia ou colega) a quem podem recorrer para esclarecer dúvidas.
  • Esclarecer direitos e deveres no trabalho.
  • Facilitar a integração na equipa. Podemos incentivar a colaboração entre membros da equipa e evitar que as pessoas migrantes fiquem sempre sozinhas ou com tarefas isoladas.
  • Apoiar a aprendizagem da língua portuguesa. Sempre que possível, podemos disponibilizar informação sobre cursos de português para estrangeiros, ou incentivar a prática da língua no dia a dia, através da correção respeitosa: “Queres que repita?” ou “Queres tentar dizer comigo?” é mais eficaz e acolhedor do que uma correção abrupta.
  • Sensibilizar as equipas. Falar abertamente sobre diversidade cultural pode reduzir mal-entendidos
  • Ter opções de comida e espaços adaptados a pessoas com restrições alimentares por razões culturais ou religiosas.
  • Partilhar costumes culturais, como o do Natal.

Quando somos colegas de trabalho:

  • Ajudar na adaptação ao trabalho. Nos primeiros dias, podemos mostrar onde ficam os espaços e explicar pequenas regras formais da empresa, mas também as regras informais, como hábitos de convívio, pausas para café ou o tom habitual de comunicação com colegas e superiores.
  • Ser claros e pacientes na comunicação. Falar devagar, usar frases curtas e evitar expressões locais ou ditados populares.
  • Apoiar na utilização de equipamentos e regras de segurança.
  • Partilhar momentos de pausa e convívio. Podemos convidar colegas migrantes para tomar café, almoçar ou conviver depois do trabalho.
  • Respeitar costumes e tradições. Algumas pessoas podem não participar em certas refeições, cumprimentos ou celebrações por motivos religiosos ou culturais.
  • Ser exemplo de respeito. Podemos estar atentos e não participar em comentários, piadas ou atitudes discriminatórias.  
  • Esclarecer e informar sobre direitos laborais.
  • Estar atentos a situações de exploração disfarçada de “ajuda”. Podemos estar atentos se recebem tarefas mais pesadas, têm horários desequilibrados ou sofrem de tratamento desigual.

Na escola…

  • Estar conscientes da nossa influência. Aquilo que pensamos, dizemos e a forma como nos comportamos com as pessoas migrantes influencia a forma como as crianças que estão à nossa volta reagem.
  • Desconstruir motivos pelos quais as pessoas migram. Explicar que, geralmente, procuram uma vida melhor ou foram obrigadas a mudar porque algo tornava a sua vida difícil, por exemplo, a guerra, catástrofes naturais ou a pobreza extrema. 
  • Aprender mais sobre outras culturas.
  • Despertar maior curiosidade cultural. Podemos procurar que as crianças possam ter contacto com outras culturas desde cedo, através de viagens, filmes, séries, livros ou comida.
  • Aprender palavras na língua do colega.
  • Incentivar amizades com diferentes crianças. Incentive as crianças com quem convive a estarem abertas a conhecer novos colegas.
  • Incentivar a partilha de interesses. Sugerir às crianças que convidem colegas migrantes para atividades em grupo, como jogar futebol, estudar em conjunto, ir a festas de aniversário ou simplesmente brincar no recreio.
  • Incentivar a ser uma ajuda útil. Encorajar as crianças a ajudar colegas migrantes a compreender regras, rotinas ou palavras novas. Pequenos gestos, como mostrar onde é a sala de aula ou explicar como funciona o recreio, pode fazer uma grande diferença para quem se está a adaptar.

Pode consultar os documentos completos: