Carolina Vieira, investigadora do Centro de Investigação Biomédica (CBR), da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, conquistou uma bolsa pós-doutoral Marie Skłodowska-Curie (MSCA), fazendo parte das cerca de 40 atribuídas a instituições de acolhimento em Portugal. O projeto centra-se no estudo de parasitas do género Trypanosoma, responsáveis por doenças negligenciadas como a Doença de Chagas e a tripanossomíase africana animal, com o objetivo de compreender os mecanismos que utilizam para infetar o organismo e identificar potenciais alvos terapêuticos.
O trabalho da investigadora irá focar-se, em particular, no parasita Trypanosoma vivax e na forma como interage com os vasos sanguíneos do hospedeiro, um processo associado à gravidade da doença. Ao contrário de outros parasitas, o T. vivax pode aderir às paredes dos vasos, contribuindo para danos nos órgãos.
A investigação pretende identificar as moléculas responsáveis por essa interação e compreender os mecanismos que permitem ao parasita sobreviver e proliferar no organismo, abrindo caminho para o desenvolvimento de novas abordagens para mitigar o impacto da infeção.
“Um dos principais objetivos é expandir a experiência para além do metabolismo parasitário, entrando no campo da infeção. Vou aprender técnicas avançadas para estudar a adesão do parasita em condições fisiológicas que simulam o fluxo sanguíneo, utilizando sistemas microfluídicos, bem como recorrer à espectrometria de massa para identificar os fatores responsáveis pela ligação às células endoteliais,” antecipa Carolina Vieira, investigadora do Laboratório de Interações Parasita – Vasculatura do Centro de Investigação Biomédica (CBR), da Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa.
Ao contrário de outros tripanossomas africanos, o T. vivax também pode ser transmitido mecanicamente, sem necessidade de um vetor inseto específico, o que contribui para a sua distribuição geográfica mais ampla, incluindo em regiões da América do Sul.
A tripanossomíase africana animal, também conhecida como nagana, afeta sobretudo o gado e tem um impacto significativo na economia agrícola, contribuindo para a pobreza e insegurança alimentar em várias zonas do mundo.
“O interesse pela parasitologia começou durante a licenciatura. No Brasil, onde a infeção por T. cruzi é endémica, estamos expostos a muita informação sobre esta doença desde cedo. Mais tarde, percebi como continua a ser negligenciada e a receber pouca atenção em comparação com o seu impacto, o que me motivou a especializar no estudo dos tripanossomas,” explica Carolina Vieira, investigadora no laboratório de Interações Parasita – Vasculatura do CBR, liderado pela investigadora Sara Silva Pereira.
Foram apresentadas mais de 17 mil candidaturas para as bolsas MSCA, 496 das quais por instituições portuguesas – um recorde absoluto de participação, tanto a nível europeu como nacional. No total, foram selecionadas 1.610 propostas para financiamento, incluindo 40 com instituições de acolhimento em Portugal.
As MSCA Postdoctoral Fellowships, integradas no programa Horizonte Europa, financiam projetos de pós-doutoramento em todas as áreas do conhecimento. As candidaturas são submetidas em conjunto pelo investigador e pela respetiva instituição, estando sujeitas a critérios de elegibilidade como experiência pós-doutoral limitada e requisitos de mobilidade internacional.
Mais informações: CBR Homepage – Católica Biomedical Research Centre