Associação alerta para custos acumulados no SNS e na Segurança Social devido à falta de respostas atempadas para doenças pós-virais como Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica

A Aliança Millions Missing Portugal (AMM) será ouvida no próximo dia 28 de maio, na Comissão de Saúde da Assembleia da República, no âmbito da petição pública pelo reconhecimento e resposta clínica à Encefalomielite Miálgica/Síndrome de Fadiga Crónica (EM/SFC).

A associação irá alertar os deputados para aquilo que considera ser um “limbo clínico” que mantém milhares de doentes sem diagnóstico adequado, sem orientação clínica consistente e frequentemente sem reconhecimento funcional da incapacidade associada a estas doenças pós-virais, que incluem também a Covid Longa.

A AMM alerta ainda para a dimensão crescente do problema: dados pré-pandémicos estimavam cerca de 93 mil pessoas com EM/SFC em Portugal, às quais se somam agora, pelas estimativas internacionais, centenas de milhares de casos de COVID Longa. É uma “vaga pandémica oculta” ainda amplamente invisível nas respostas do SNS e da Segurança Social.

“Portugal está a perder anos preciosos destes doentes. E durante este período, os custos acumulam-se no SNS, na Segurança Social e nas famílias, enquanto muitos casos evoluem para níveis de incapacidade que poderiam ter sido mitigados com reconhecimento precoce e orientação adequada”, defende a AMM.

A associação sublinha que, segundo referências clínicas internacionais, o diagnóstico pode ser alcançado entre três e seis meses quando existe formação adequada e orientação estruturada. Em Portugal, muitos doentes continuam sem reconhecimento clínico durante décadas — em alguns casos mais de 20 anos.

A associação sublinha também o impacto económico destas doenças. A rede europeia EUROMENE estima o custo anual da EM/SFC na Europa em cerca de 40 mil milhões de euros, enquanto dados recentes da Alemanha apontam para custos sociais superiores a 64 mil milhões de euros — cerca de 1,44% do PIB alemão.

“Não estamos a pedir estruturas gigantescas nem medicamentos dispendiosos. Estamos a pedir medidas relativamente simples — orientação clínica, formação — que custariam muito menos ao Estado do que continuar a gerir estas doenças através de urgências, exames repetidos e anos de incapacidade evitável”, refere a AMM.

Na audição parlamentar, a AMM defenderá medidas de reconhecimento institucional e orientação clínica nacional para responder a estas doenças.

Petição pública:
https://peticaopublica.com/?pi=PT124529